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O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, conseguiu uma proeza para a sua carreira política: a maior goleada da história dos impeachments, com 69 votos a 0

Deputados e desembargadores viram crime de responsabilidade em atos do mandatário. (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, conseguiu uma proeza para a sua carreira política: a maior goleada da história dos impeachments, com 69 votos a 0, ou seja, por unanimidade pela abertura do processo. Enquanto o ex-juiz conseguiu 0% do parlamento em seu favor, a ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu o impeachment em 2016, conseguiu cerca de 28% dos votos. Até o ex-presidente Fernando Collor, que viu sua popularidade despencar devido a medidas econômicas heterodoxas, obteve 12% de apoio.

Mesmo quando olhamos para outros países, uma vitória da oposição assim acachapante nunca aconteceu. Em 1997, o Congresso do Equador destitui o então presidente do país Abdalá Bucaram, mas ele conseguiu que 43% dos votos do parlamento fossem contrários a abertura do processo. Em 2012, o ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo foi destituído em um “impeachment relâmpago”, que durou pouco mais de 24 horas. Mesmo nesse curto espaço de tempo, Lugo, com suas articulações, somou ao menos 9% dos votos em seu favor. 

Witzel será afastado agora por 120 dias para ser julgado em um fórum misto, formado por cinco deputados, cinco desembargadores sorteados e mais o presidente do Tribunal de Justiça do Rio  de Janeiro (TJ-RJ), Cláudio de Mello Tavares. Mas em solo carioca – até pela derrota sofrida no parlamento – ninguém acredita que ele conseguirá reverter o afastamento.

Crivella

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) decidiu tornar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), inelegível por seis anos, por abuso de poder político e conduta vedada a agente público. A votação dessa quinta-feira (24) foi por unanimidade, por 7 votos.

Na terça (22), o julgamento tinha sido interrompido com um placar de 6 a 0, quando o desembargador Vitor Marcelo Rodrigues havia pedido vistas para analisar o processo. Rodrigues argumentou ter tido pouco tempo para se inteirar sobre o julgamento – ele foi nomeado no TRE no último dia 31 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O prefeito foi condenado também a pagar multa de até R$ 106,4 mil. A decisão prevê a imediata comunicação ao Juízo Eleitoral responsável pelo registro das candidaturas, independentemente de recurso. A defesa do prefeito diz que ele vai recorrer e que estará apto para concorrer à reeleição.

O prefeito é candidato à reeleição e, segundo o Tribunal Regional Eleitoral, fica inelegível nesta eleição – a menos que a situação seja revertida em alguma instância superior, como o Tribunal Superior Eleitoral ou o Supremo Tribunal Federal.

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