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O governador gaúcho considera que a troca de comando no Ministério da Saúde só dará resultado se Bolsonaro mudar de atitude

Modelo entra em vigor até sábado, substituindo o de bandeiras, que norteou o combate à Covid-19 até aqui. (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)

Nesta segunda-feira (15), durante videoconferência com a comissão do Senado encarregada de temas relativos ao coronavírus, o governador gaúcho Eduardo Leite e colegas e de outros Estados voltaram a criticar o presidente da República. Segundo eles, de nada adiantará uma troca no comando do Ministério da Saúde se Jair Bolsonaro não mudar o seu comportamento em relação à pandemia.

As manifestações foram feitas em um cenário no qual já se cogitavam nomes para a vaga aberta pela saída de Eduardo Pazuello do comando da pasta – o médico paraibano Marcelo Queiroga seria anunciado como novo titular apenas no começo da noite.

Participaram do encontro virtual o paulista João Doria (PSDB, mesmo partido de Eduardo Leite), o capixaba Renato Casagrande (PSB) e o maranhense Flávio Dino (PCdoB). Veja, a seguir, algumas das declarações do grupo de governadores.

Eduardo Leite (RS)

– “Não há ministro que sobreviva no cargo caso Bolsonaro continue com ações de sabotagem. Eu não me arvoro a tratar sobre esse tema porque o que eu vi depois da troca de três ministros é que o problema está nas orientações que o presidente dá”;

– “Não há ministro que consiga trabalhar com a sabotagem feita pelo próprio presidente da República às medidas necessárias ao combate ao coronavírus”;

– [O ex-ministro] Eduardo Pazuello, sempre foi gentil e atencioso, mas não conseguiu avançar nas ações de enfrentamento à Covid, por orientação de Bolsonaro;

– “Quando precisamos avançar na articulação internacional por vacina e no apoio para medidas de distanciamento são dois problemas que o presidente não tem ajudado e fica difícil exigir que o ministro da saúde consiga resolver”;

– “Precisamos especialmente de um presidente sensibilizado. Se não for para oferecer ajuda, que seja para parar de oferecer ataques e agressões e atrapalhar o processo de enfrentamento da pandemia”.

João Doria (SP)

– “Temos um presidente da República negacionista, que desde março do ano passado deu exemplos lamentáveis, participou de atividades, estimulou atividades, não usou máscara, qualificou de ‘maricas’ quem utiliza a máscara e de ‘covarde’ quem fica em casa. Ele também apostou em uma única vacina”;

– “Jair Bolsonaro será condenado por tribunais internacionais, pois o que ele está promovendo no Brasil é um genocídio. Nós estamos matando os brasileiros, é inacreditável isso”;

– “O Brasil hoje é um mar de morte e um oceano de incompetência, tendo como capitão o ‘mito’ Jair Bolsonaro. Meu repúdio a este homem, meu repúdio aos negacionistas”.

Flávio Dino (MA)

– “As carências do País no combate à pandemia não devem ser creditadas aos ministros que ocuparam a cadeira durante o período, mas sim a Jair Bolsonaro”;

– “Acho que tanto o Mandetta, o Teich, quanto o atual ministro Pazuello tentaram dialogar com os governadores. A questão central está, de fato, mais acima. É a hierarquia administrativa que tem determinado atitudes de sabotagens em relação aos esforços de estados e municípios”.

Renato Casagrande (ES)

– “Vai trocar o ministro? Não vai adiantar muito, pois o que precisa mudar é o comportamento do governo, que precisa passar a coordenar essa ação, o que não fez até agora”;

– “É preciso que o governo mude, mas nós não acreditamos muito na mudança do governo, então é importante que o Senado cumpra o papel”.

(Marcello Campos)

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