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O governador gaúcho vai acionar o Ministério Público contra Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB

Prisão do presidente do PTB, na imagem, foi ordenada por Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das milícias digitais. (Foto: Reprodução)

Insultado por Roberto Jefferson durante uma entrevista recente, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, declarou que vai responder ao presidente nacional do PTB. “Estamos preparando representação contra ele junto ao Ministério Público”, afirmou Leite à coluna Radar, da revista Veja.

No último dia 12, Jefferson proferiu agressões em relação ao governador e contra a comunidade LGBT. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Roberto Jefferson, a pretexto de criticar a política de segurança do Estado, atacou Leite: “Não é coisa de homem viril, diria que é coisa de veado. É um típico papel de veado”.

Ao longo da entrevista, o presidente do PTB ainda atribui o que vê como desacerto na segurança gaúcha ao “calcinha cor-de-rosa”. Em áudio dirigido a dirigentes do PTB, Roberto Jefferson ainda acrescentou: “Os deputados do Rio Grande do Sul estão seguindo o ‘lockdown’ de Dudu Milk Shake”.

Em entrevista à mesma rádio, na segunda-feira, o governador respondeu ao presidente do PTB: “Falta qualidade moral a Roberto Jefferson, que foi filiar uma pessoa dentro da cadeia [o deputado Daniel Silveira, preso por decisão do Supremo, cuja filiação acabou sendo desfeita], agride pessoas honradas e tem ficha corrida de pouca concorrência.[…] Ele aposta no esgoto da política. É dolorido estar na política quando ela é exercida dessa forma. Sou ser humano e me machuco com declarações injuriosas como esta”, disse Leite.

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul divulgou uma nota de repúdio em que diz considerar “absolutamente inaceitável” as declarações do cacique que ofenderam “vulgarmente” o governador e grupos minoritários.

Leia abaixo a íntegra da nota da Defensoria Pública do RS:

“A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, vem a público REPUDIAR as declarações do ex-parlamentar e presidente do Partido Trabalhista Brasileiro, Roberto Jefferson, que, no último dia 12, proferiu agressões em relação ao governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e contra a comunidade LGBT.

Nesse contexto, a Defensoria Pública, reafirmando seu papel constitucional como expressão e instrumento do regime democrático, considera absolutamente inaceitável que, em um momento extremamente crítico como o vivenciado, seja utilizado o prestigioso microfone da Rádio Bandeirantes para desinformar a população no que toca à gravidade da pandemia que nos assola e, no mesmo contexto, ofender vulgarmente o governador do Estado, grupos minoritários e todas aquelas pessoas que não mais toleram o ambiente de animosidade e violência que artificialmente se tenta prolongar no Brasil.

Ademais, cabe ressaltar que alimentar discursos negacionistas leva a desinformação, fragiliza o combate à pandemia e deixam desarmônica as relações institucionais, o que por sua vez pouco – ou nada – contribuem para o fortalecimento da democracia e de seu pleno funcionamento.

A Constituição da República não só admite como incentiva a livre circulação de ideias, as quais, no entanto, devem ser explicitadas, sobretudo quando amplificadas pelos meios de comunicação de massa, em conformidade com os valores republicanos e democráticos que dão coerência e unidade ao texto constitucional, em especial por aqueles que, ainda que sem a chancela do voto, seguem desempenhando papel de destaque na cena política nacional.

Notadamente neste momento, que é induvidosamente o de maior impacto sanitário, todos devemos zelar pela adequada informação à população, pelo respeito às autoridades públicas que buscam minimizar as consequências da crise e pelo recato que a mortandade diária deveria impor.

Por estas razões, a Defensoria Pública expressa sua solidariedade com toda comunidade LGBT, com o senhor governador Eduardo Leite e com todos os gaúchos que clamam pela restauração da racionalidade no debate público.” As informações são da revista Veja, do jornal Valor Econômico e da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

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