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O governo americano anunciou a imposição de sanções contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, que está impedido de viajar aos Estados Unidos

Votação para eleger o sucessor de Castro será no final do VIII Congresso do Partido Comunista de Cuba. (Foto: Reprodução)

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (26) sanções contra o cubano Raúl Castro e sua família, acusando o ex-presidente de violações de direitos humanos. No Partido Comunista, “Raúl Castro supervisiona um sistema que detém arbitrariamente milhares de cubanos e atualmente mantém mais de 100 presos políticos”, disse o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. As informações são da agência de notícias AFP.

As sanções implicam que o ex-presidente, irmão do falecido líder revolucionário Fidel Castro, não poderá viajar para os Estados Unidos.

Embora seja improvável que o ex-líder de 88 anos planeje uma viagem ao país, a medida também significa que sua família mais próxima ficará impedida de entrar nos Estados Unidos.

Entre as pessoas proibidas de viajar está a filha Mariela Castro Espin, que se tornou uma das principais defensoras dos direitos dos gays e conscientização sobre hiv/aids.

Ela visitou São Francisco e Nova York em 2012, provocando um protesto dos críticos de Castro nos Estados Unidos.

Pompeo explicou que essa decisão também foi tomada devido ao apoio de Raúl Castro ao presidente de esquerda da Venezuela, Nicolás Maduro, cujo país está imerso em uma grave crise econômica.

“Os Estados Unidos apoiam fortemente os direitos do povo cubano e venezuelano”, afirmou Pompeo em comunicado.

“Continuaremos a procurar todas as ferramentas diplomáticas e econômicas para ajudar o povo venezuelano a alcançar a transição que merece”, acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu livrar a América Latina do socialismo, uma posição que ecoa muitos exilados cubanos e venezuelanos na Flórida, um estado politicamente fundamental para as eleições de 2020 nas quais ele buscará a reeleição.

Suas medidas contrastam com as do ex-presidente Barack Obama, que conheceu Castro em uma viagem histórica a Cuba em 2016, enquanto tentava acabar com décadas de hostilidade entre os dois países.

Simbolismo

Além do simbolismo dos vistos negados à família Castro, os EUA também ampliaram, nos últimos anos, as sanções contra várias empresas e pessoas na ilha, além de impor restrições a viagens de americanos, incluindo cruzeiros, e ao envio de dinheiro para Cuba, duas fontes cruciais de renda no país. Os resultados podem ser vistos nas ruas, com filas nos postos de combustível, ônibus cada vez mais raros e, nas lavouras, com animais substituindo tratores.

O governo, por sua parte, diz estar explorando alternativas à ofensiva americana, porém deixando claro que o país não está perto de repetir o chamado “Período Especial”, logo após o fim da União Soviética. Na época, Cuba enfrentou escassez de alimentos, combustíveis, produtos de higiene e energia elétrica, com apagões que chegavam a 16 horas diárias.

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