O governo brasileiro confirmou a importação da vacina de Oxford produzida na Índia
Fabricia Albuquerque
O acordo prevê a entrega de 500.000 doses adicionais do fármaco de anticorpos, que recebeu o nome AZD7442. (Foto: Reprodução)
O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (5) que está “confirmada” a importação de 2 milhões de doses da vacina produzida pela farmacêutica britânica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, na Índia. Segundo os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, não há “qualquer tipo de proibição oficial” do governo indiano, em relação à exportação de doses do imunizante contra a covid-19.
“Está confirmada a importação de 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford produzidas na Índia, com data provável de entrega a partir de meados do corrente mês de janeiro”, disse o Itamaraty, em nota nesta manhã.
Em seguida, o governo brasileiro afirmou em outra nota que “as negociações entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Serum da Índia para a importação pelo Brasil de quantitativo inicial de doses de imunizantes contra a covid-19 encontram-se em estágio avançado”. Segundo o governo, as doses devem chegar em meados de janeiro.
Nesta terça, houve uma reunião técnica na sede da Anvisa, em Brasília, entre representantes da agência sanitária e da Fiocruz. Foram entregues mais documentos para o processo de aprovação da vacina. A Fiocruz deve fazer o pedido de registro oficial do imunizante de Oxford/AstraZeneca ainda esta semana.
Recuo sobre veto
No domingo (3), horas após o Brasil anunciar um acordo com a instituição para a compra de 2 milhões de doses prontas do imunizante, o CEO do Instituto Serum da Índia, Adar Poonawalla disse à Associated Press que a exportação seria vetada até que toda a população indiana vulnerável ao coronavírus fosse vacinada.
Nesta terça, no entanto, ele negou que haja restrições à exportação do imunizante. O recuo ocorreu em mensagem divulgada no Twitter pelo CEO, que também incluiu um comunicado conjunto entre o Serum e a Bharat Biotech, farmacêutica indiana responsável pelo desenvolvimento a vacina candidata Covaxin.
Sem mencionar as afirmações categóricas feitas à AP e à Reuters no domingo, Poonawalla disse que, para contornar “falhas de comunicação”, enfatiza que a exportação está liberada “para todos os países”. O executivo havia dito que o envio de vacinas prontas para o exterior só seria permitido após o fornecimento de 100 milhões de doses às autoridades indianas, a US$ 2,70 cada.
No comunicado conjunto entre o Instituto Serum e a Bharat Biotech, assinado também pelo presidente da segunda companhia, Krishna Ella, os dois laboratórios enfatizam que “a principal tarefa diante deles é salvar vidas e os meios de subsistência de populações na Índia e em todo o mundo”. A nota sublinha, ainda, que vacinas são “um bem de saúde pública global e têm o poder de salvar vidas e acelerar o retorno à normalidade econômica o mais rápido possível”.
A Bharat Biotech, desenvolvedora da vacina indiana Covaxin, informou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na segunda-feira (4) que avalia tanto a condução de ensaios clínicos de fase III no Brasil quanto a submissão de pedido de registro definitivo do imunizante no País.
Em reunião com a Anvisa, o laboratório Precisa Farmacêutica, que representa a empresa Bharat Biotech no País, afirmou que ainda vai definir sua estratégia para o Brasil. No domingo, a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) anunciou que articula a aquisição de 5 milhões de doses da vacina Covaxin para a rede particular do País.
Acordo com Covax
A medida poderia prejudicar não apenas o acordo firmado com o Brasil, cuja importação das 2 milhões de doses foi aprovada pela Anvisa no dia 31 de dezembro, mas também o envio de imunizantes para a Covax Facility, iniciativa global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa universalizar o acesso às vacinas nos países mais pobres e em desenvolvimento.
Na ocasião, o Itamaraty afirmou que as autoridades sanitárias do Brasil e da Índia estão em contato para viabilizar a importação da vacina: “Como ocorreu em outras ocasiões, a Embaixada do Brasil em Nova Déli está facilitando o diálogo entre as partes para a pronta conclusão das negociações”.
De acordo com a nota divulgada nesta terça, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, reuniu-se na segunda com o embaixador da Índia no Brasil para tratar do assunto.
As doses não fazem parte do contrato assinado no ano passado entre a AstraZeneca e o governo federal, que permanece sem alterações. O documento prevê a compra de 100,4 milhões de doses de insumo farmacêutico ativo da vacina, além de uma licença à Fiocruz para a produção, distribuição e comercialização do imunizante. A expectativa é que sejam entregues 15 milhões de doses em janeiro, 15 milhões em fevereiro e o restante até julho de 2021.