O governo está estudando uma dança das cadeiras nos ministérios com a saída do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para disputar as eleições deste ano. Segundo apuração, o PSD quer ficar no comando da pasta, mas não estaria disposto a referendar automaticamente uma indicação de sucessor feita por Fávaro. A sugestão é que o cargo seja assumido por André de Paula, atual ministro da Pesca e Aquicultura, que não disputará o pleito.
A partir deste desenho, o partido manteria o controle da pasta, onde daria sequência às suas demandas, como a operacionalização de emendas parlamentares em ano eleitoral, e mais destaque para o ex-deputado pernambucano. No Palácio do Planalto, fontes afirmam que a indicação estaria sendo construída ouvindo especialmente as indicações da bancada, mas que também contará com a chancela da área do Executivo federal.
Fávaro deve sair do cargo até o início de abril, quando se desincompatibilizará da pasta para poder concorrer à reeleição ao Senado por Mato Grosso. Apesar de André de Paula ser a favorito a integrar o Ministério da Agricultura, o martelo ainda deverá ser batido em breve.
Fávaro disse que a escolha caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem discutiu o tema na quinta-feira (12), mas que o sucessor terá que dar continuidade às políticas implementadas desde 2023. “O presidente Lula tem dito que o governo não pode ter nenhum tipo de interrupção das políticas”, disse. “O PSD tem o pleito de manter o ministério, isso já foi comunicado pelo líder do partido na Câmara. Com isso, a decisão fica ainda mais para o presidente da República”, acrescentou.
A indefinição na Agricultura é fruto de uma particularidade. O secretário-executivo do ministério, Irajá Lacerda, que seria o substituto natural, vai se candidatar a deputado federal por Mato Grosso e também deixará o cargo daqui a 60 dias. Guilherme Campos (PSD), ex-deputado federal e homem de confiança de Gilberto Kassab, presidente do PSD, deixará a Secretaria de Política Agrícola em breve para concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.
O mais cotado internamente, que tem se movimentado nos bastidores para assumir o cargo e conta com o aval de Fávaro, é Carlos Augustin. Uma das poucas pontes entre a composição atual do ministério e a bancada ruralista, ele foi responsável pela criação do principal programa da pasta nesta gestão, o Caminho Verde Brasil, que mobilizou mais de R$ 30 bilhões para financiamentos para recuperação de áreas degradadas.
Augustin também ajudou a articular ações na política agrícola, para aberturas de linhas de crédito em dólar, por exemplo. Com autonomia no cargo, mantém agendas diretas com o Ministério da Fazenda e bancos que atuam no crédito rural.
“Ele está aqui, conhece tudo, está comigo desde o primeiro dia do ministério e foi muito útil e importante. É um perfil que daria continuidade nas políticas implementadas”, relatou Fávaro.
Empresário do ramo de sementes de soja em Mato Grosso e um dos fundadores do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), braço técnico da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Teti, como é conhecido, trabalha para convencer o Palácio do Planalto a efetivar seu nome para o cargo. Ele também tem a simpatia de algumas entidades do setor produtivo entre os nomes ventilados até agora.
Filiado ao PT e com influência no partido em Mato Grosso, Augustin tem declarado abertamente que quer ser ministro. Interlocutores dizem que falta a ele traquejo político para assumir o cargo.
Fontes do setor não descartam a possibilidade de José Lacerda (PSD-MT), suplente de Fávaro no Senado e pai do secretário-executivo Irajá Lacerda, assumir o posto.
Outro nome citado foi o de Luis Rua, atual secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta. Egresso do setor de proteína animal, atua diretamente na abertura de novos mercados para os produtos do agronegócio brasileiro, pauta mais bem-sucedida do ministério nessa gestão.
Voltou ao radar o nome de Roberto Perosa, hoje é presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que reúne empresas como JBS, MBRF e Minerva. A interlocutores, ele tem negado intenção de assumir o ministério.
Cléber Soares, secretário-executivo-adjunto, responsável pela parte operacional da pasta, também foi lembrado. (Com informações do portal Valor Econômico)
