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O governo exige que o Google explique o uso de verba oficial em sites de jogos de azar e de fake news

Antigo braço direito do ex-presidente Jair Bolsonaro saiu do partido após vazamento de mensagens. (Foto: Anderson Riedel/PR)

O secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, cobrou explicações do Google após uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo de sábado (9) ter revelado que anúncios publicitários sobre a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro foram veiculados em sites de fake news, de jogo do bicho, infantis, em russo e em canal do YouTube.

“Com a palavra o presidente do Google Brasil, @FabioJcoelho. Ele pode explicar melhor como funciona a plataforma. Determinamos que sua equipe técnica adotasse procedimentos rígidos para evitar a veiculação em sites inadequados”, disse o chefe da Secom. “Já pedi ao secretário de publicidade Glen Valente que cobre uma posição oficial”, completou Wajngarten em uma rede social.

A reportagem da Folha teve como base informações que constam de planilhas da Secom da Presidência enviadas à CGU (Controladoria-Geral da União), a partir de um pedido por meio do Serviço de Informação ao Cidadão.

As planilhas devem ser encaminhadas à CPMI das Fake News nos próximos dias. Os documentos não especificam o total gasto pela Secom com os anúncios. Em maio de 2019, a secretaria anunciou que gastaria R$ 37 milhões em inserções publicitárias sobre a reforma da Previdência, em televisão, internet, jornais, rádio, mídias sociais e painéis em aeroportos.

A distribuição dos anúncios ocorre da seguinte forma. A Secom contrata agências de publicidade que compram espaços por meio do GoogleAdsense para veicular campanhas em sites, canais do YouTube e aplicativos para celular.

O anunciante escolhe que tipo de público quer atingir, em que tipos de sites não quer que sua campanha seja veiculada e quais palavras-chave devem ser vetadas. Então o Google distribui os anúncios para sites ou canais do YouTube que cumpram os critérios estabelecidos pelo anunciante.

O montante pago pela Secom é dividido entre o Google e o site ou canal do YouTube. As porcentagens do Google variam, de 40% a 20% ou menos, dependendo da negociação entre os sites e a plataforma. No final, o anunciante recebe um relatório sobre todos os seus anúncios, onde foram veiculados, quantas impressões e outros dados.

Neste sábado (9), após a publicação da reportagem, o senador Alessandro Vieira, a bancada do Cidadania e senadores do grupo chamado Muda Senado decidiram entrar com representação por improbidade contra a Secom. O grupo decidiu ainda apresentar pedido de convocação do secretário Fábio Wajngarten (Comunicação) para esclarecimentos.

Procurada antes da publicação da reportagem, a Secom afirmou na sexta-feira, em nota, que “a plataforma de anúncios da Google atua automaticamente a partir de parâmetros para a entrega do conteúdo publicitário aos públicos de interesse”.

“As definições são abrangentes e não determinam com exatidão o local na internet em que o anúncio será veiculado. Porém, neste caso específico, buscou-se perfis reconhecidos pela ferramenta do Google que tenham afinidade para o tema “Previdência” e demais correlações de acordo com sintaxe para o tema da campanha.”

“Foram realizados comandos para o bloqueio da entrega da publicidade em sites de conteúdos impróprios, que incitem a violência ou que atentem contra os direitos humanos. Trata-se de procedimento padrão, em cumprimento às diretrizes da lei 6.555/2008”, finaliza a nota.

Neste sábado, em nota após a declaração de Wajngarten, o Google afirmou: “Temos o compromisso contínuo de oferecer treinamentos e consultorias aos nossos parceiros, tanto do setor público quanto do privado, para que possam aprimorar a gestão de seus anúncios”.

A empresa diz atuar no aperfeiçoamento de plataformas para “oferecer os melhores resultados possíveis para nossos parceiros”. “Preservar a confiança no ambiente de publicidade digital é uma prioridade.”

Ainda na nota, o Google afirma agir diariamente para “minimizar conteúdos que violam nossas políticas e impedir a ação de pessoas mal-intencionadas em nossa rede”. Somente em 2019, diz, encerrou mais de 1,2 milhão de contas de publishers e retirou anúncios de mais de 21 milhões de páginas, por violação de políticas.

Por meio de sua assessoria, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das Fake News, afirmou que não iria comentar o assunto porque “não recebeu e não conhece as informações”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

 

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