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O governo federal exonerou mais dois superintendentes da Polícia Federal

Mendonça aguardava o resultado do exame PCR depois de ter resultado negativo no teste rápido. (Foto: Renato Menezes/AGU)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, oficializou nessa segunda-feira (11) trocas na cúpula da PF (Polícia Federal), promovendo os superintendentes regionais da Paraíba e do Tocantins a cargos administrativos. Seus substitutos ainda não foram anunciados. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial da União.

A delegada Cecília Silva Franco, que chefiava a PF no Tocantins, foi nomeada para assumir a Diretoria de Gestão de Pessoal da corporação no lugar do delegado Delano Cerqueira Bunn. Já o superintendente da Paraíba, André Viana Andrade, foi escolhido para ser diretor de Administração e Logística Policial da Polícia Federal, substituindo o delegado Roberval Ré Ricalvi.

A outra mudança promovida por Mendonça foi na Diretoria Técnico-Científica da instituição: o perito criminal federal Alan de Oliveira Lopes assumiu o posto de Fabio Augusto da Silva Salvador.

Na semana passada, um dos primeiros atos do novo diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza, foi mudar o comando da Superintendência Regional do Rio de Janeiro, justamente o foco de interesse do presidente Jair Bolsonaro e que gerou atritos entre ele e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

O delegado Tácio Muzzi foi escolhido para substituir Carlos Henrique de Oliveira, que foi transferido para Brasília para ocupar a diretoria-executiva, o segundo cargo na hierarquia da PF.

Valeixo

O ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo afirmou em depoimento nessa segunda que nunca formalizou um pedido de exoneração do seu cargo, ao contrário do que registrava seu decreto de exoneração assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Em seu depoimento, obtido pelo jornal O Globo, o ex-diretor relatou ter recebido um telefonema de Bolsonaro na véspera de sua demissão avisando-o que iria constar que a exoneração foi “a pedido” dele próprio.

Segundo o relato de Valeixo, nesse telefonema Bolsonaro lhe indagou “se concordava que sua exoneração fosse publicada como ‘a pedido'”. O ex-diretor relatou que, na ocasião, concordou com a exoneração a pedido. Em seguida, afirma que o então ministro da Justiça Sérgio Moro lhe disse que estava tentando obter um compromisso de que fosse indicado como seu substituto o delegado Disney Rosseti, seu número dois na PF, para que ele pudesse formalizar o pedido de exoneração, o que não chegou a ocorrer. “Nunca houve formalização do pedido de exoneração”, afirmou Valeixo no depoimento.

O primeiro decreto de exoneração de Valeixo tinha o nome de Moro, mas o então ministro negou que tivesse assinado o documento. Com isso, o governo refez o decreto e publicou uma nova versão sem a assinatura de Moro. Em ambos os decretos constou que a exoneração de Valeixo foi “a pedido” dele próprio. Caso a investigação comprove que o decreto de exoneração teve informações fraudadas, os responsáveis podem ser acusados do crime de falsidade ideológica.

Valeixo prestou depoimento a investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República das 10h15min da manhã às 16h30min, no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal, aberto após as declarações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O ex-diretor-geral foi ouvido na Superintendência da PF em Curitiba, onde está passando férias após sua saída do cargo. O depoimento teve uma pausa para o lanche, por volta das 14h30min, e foi retomado em seguida.

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