Ícone do site Jornal O Sul

O governo gaúcho recebeu cinco recursos contra o mapa provisório do distanciamento controlado, que pela primeira vez tem bandeiras pretas

As regiões de Bagé e Pelotas foram classificadas como de risco altíssimo para coronavírus. (Foto: Divulgação/Palácio Piratini)

Pela primeira vez com bandeira preta, que indica altíssimo risco epidemiológico no âmbito da pandemia de coronavírus, o mapa preliminar da 32ª rodada do distanciamento controlado foi alvo de cinco pedidos de reconsideração encaminhados ao Comitê de Crise por prefeituras e entidades locais. As respostas serão publicadas na tarde desta segunda-feira (14) com a configuração definitiva, que terá vigência de uma semana a partir da terça.

As solicitações para reduzir o nível de restrições vieram de associações regionais e municípios classificados previamente em preto (as áreas de Bagé e Pelotas, na Macrorregião Sul) e em vermelho, que representa alto risco epidemiológico e teve 18 regiões assim classificadas. Somente a área de Cruz Alta recebeu status laranja (risco médio). Nenhuma recebeu o amarelo (baixo risco).

Nível mais severo na escala do distanciamento controlado, a bandeira preta significa que tanto a capacidade hospitalar como o contágio por coronavírus alcançaram níveis críticos na região. Vale lembrar que bandeira preta não implica necessariamente na adoção de lockdown.

A suspensão do sistema de cogestão do Distanciamento Controlado, uma das medidas tomadas pelo governo para tentar conter o aumento da curva de contaminação e de internações no Rio Grande do Sul, é válida até esta segunda-feira. Eventual manutenção ou novas medidas serão anunciadas juntamente com o mapa definitivo da 32ª rodada.

Análise

Juntas, as “Regiões Covid” de Bagé e Pelotas abrangem 28 municípios e 9,3% da população gaúcha. Em relação ao contingente de mortos recentes por coronavírus, Pelotas apresenta a estatística mais expressiva, com 41 casos fatais nesta semana, quase o dobro dos 23 registros da anterior. Já Bagé registrou mais dez mortes, mesmo indicador da rodada anterior, mas quintuplicou os registros em relação à semana retrasada, quando houve dois falecimentos.

Desde a 26ª semana do Distanciamento Controlado, a região de Pelotas apresenta aumento nas hospitalizações de pacientes com teste positivo. Enquanto na 26ª rodada foram 22 registros, na atual são 87. De forma similar, Bagé apresenta uma alta desde a 28ª semana, quando foram cinco hospitalizações – nesta, foram 23 internações.

A região também registrou aumento n que se refere à ocupação de leitos de UTI, tanto para casos de Covid-19 (38 para 50) como por síndrome respiratória aguda grave (54 para 74).

Com isso, houve redução de 50% na oferta de leitos livres para tratamento intensivo na região, que agora está com 15 unidades – na semana anterior eram 30 e, na retrasada, 35. Foi também contabilizado um avanço, no acumulado de sete dias, nas internações em leitos clínicos: 75 para 102.

Outro indicador com piora nesta área foi a capacidade de atendimento. Enquanto na semana passada havia 0,79 leito livre de UTI para cada leito de UTI ocupado por paciente de Covid, nesta semana o indicador passou para 0,30 – índice mais baixo dentre todas as macrorregiões e da série histórica do sistema como um todo.

(Marcello Campos)

Sair da versão mobile