O presidente americano enfrenta um inquérito de impeachment sob a acusação — que ele nega — de ter condicionado ajuda militar à Ucrânia a uma investigação, pelo país, de seu potencial rival na corrida presidencial do ano que vem.
Nesta semana, o comitê legislativo responsável pelo inquérito anunciou suas conclusões, afirmando que as evidências de conduta imprópria d eTrump são “esmagadoras” e que o mandatário colocou seus interesses pessoais “acima dos interesses dos Estados Unidos” ao “solicitar interferência estrangeira” da Ucrânia para ajudar sua reeleição em 2020.
Trump, por sua vez, disse que os democratas “enlouqueceram”.
Os democratas detêm a maioria na Câmara, tornando muito prováveis as chances de impeachment nessa Casa. Mas atualmente não há indicação de que o Senado, controlado pelos republicanos, votaria para remover Trump do cargo.
Caso
No centro desta história está uma queixa de um informante anônimo.
Em agosto, um oficial de inteligência anônimo escreveu uma carta expressando preocupação com uma conversa telefônica de Trump com o presidente ucraniano, em 25 de julho.
Dizia ter uma “preocupação urgente” de que Trump tenha usado seu gabinete para “solicitar interferência de um país estrangeiro” nas eleições presidenciais de 2020.
Um memorando (e não uma transcrição) da ligação revelou mais tarde que Trump pediu ao presidente Volodymyr Zelensky que investigasse o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden, o principal candidato a competir contra Trump nas eleições do próximo ano, bem como o filho de Biden, Hunter.
O telefonema ocorreu pouco depois de Trump ter bloqueado a liberação de ajuda militar à Ucrânia. Um funcionário do alto escalão depois disse em testemunho que o presidente havia deixado claro que a liberação dessa ajuda estava condicionada à investigação de Biden, mas a Casa Branca nega isso.
Trump e seus apoiadores alegam que Biden abusou de seu poder ao pressionar a Ucrânia a se afastar de uma investigação criminal que poderia implicar seu filho, Hunter, que trabalhava para uma empresa de energia ucraniana.
Mas essas alegações foram amplamente desacreditadas. Não há evidências de que o Biden tenha tomado alguma ação para beneficiar intencionalmente seu filho, nem há evidências de irregularidades cometidas por Hunter Biden.
Democratas do Congresso dizem que o telefonema é a prova de que Trump violou a lei buscando ajuda estrangeira para tentar difamar Biden antes da eleição.
Mas há um debate em curso a respeito de se uma solicitação de investigação a um governo estrangeiro constitui uma ofensa que pode render um impeachment.
Independentemente disso, a ligação está agora no centro de um esforço dos democratas para expulsar Trump do cargo. Mas, para ter sucesso, os membros de seu próprio Partido Republicano teriam que se voltar contra ele, o que por enquanto não tem acontecido.
