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O Irã negou ter atirado em manifestantes que tomaram as ruas do país após a derrubada de avião

Vídeos publicados nas redes sociais registraram tiros e poças de sangue durante as manifestações. (Foto: Reprodução)

A polícia do Irã negou, nesta segunda-feira (13), que agentes tenham atirado em manifestantes que tomaram as ruas para protestar após a ação que derrubou, por engano, um avião de passageiros na última quarta-feira (8). Vídeos publicados nas redes sociais registraram tiros e poças de sangue durante as manifestações.

“Nos protestos, a polícia não atirou de forma nenhuma, porque os policiais da capital foram ordenados a mostrar comedimento”, disse Hossein Rahimi, chefe de polícia de Teerã, em um comunicado publicado pelo site da emissora estatal.

Em um tuíte no domingo (12), o segundo dia de manifestações no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse às autoridades: “Não matem seus manifestantes”.

Os protestos em casa são o desdobramento mais recente de uma das escaladas mais desestabilizadoras entre os EUA e o Irã desde a revolução iraniana de 1979.

Teerã admitiu ter derrubado o avião ucraniano por engano, matando todas 176 pessoas a bordo, horas depois de ter disparado mísseis contra bases norte-americanas em retaliação ao assassinato de seu líder militar mais poderoso em um ataque de drone ordenado por Trump.

A revolta pública no país irrompeu em protestos no sábado após a confissão dos militares. Os manifestantes voltaram às ruas no domingo e novamente nesta segunda-feira (13).

Vídeos publicados nas redes sociais na noite de domingo registraram tiros nas proximidades dos protestos na Praça Azadi de Teerã. Imagens mostraram sangue no solo, feridos sendo carregados e pessoas que pareciam ser seguranças correndo com armas.

Outras postagens mostraram batalhões de choque golpeando manifestantes com cassetetes enquanto pessoas próximas gritavam “Não batam neles!”

“Morte ao ditador”, mostraram imagens de manifestantes, que circulam nas redes sociais, dirigindo sua revolta ao líder supremo, Ali Khamenei.

“Eles estão mentindo que nosso inimigo é a América, nosso inimigo está bem aqui”, bradava outro grupo diante de uma universidade de Teerã.

A Reuters não conseguiu autenticar as imagens de forma independente. A mídia filiada ao governo noticiou os protestos de sábado e domingo em Teerã e outras cidades, mas sem dar tais detalhes.

Retaliação

O confronto entre os EUA e o Irã piorou com a saída, por parte dos americanos, do acordo nuclear, em 2018.

Esse era um entendimento que envolvia, além desses dois países, Rússia, China, Reino Unido, França, Alemanha. Por ele, o Irã foi mais integrado à economia global, mas precisou impor limites ao seu programa nuclear.

Trump não gostava do acordo, ele queria restrições maiores ao Irã.

O Irã disse, repetidas vezes, que não vai negociar enquanto houver sanções dos EUA. O país nega que busca ter armas nucleares.

O conflito aumentou em dezembro, quando foram disparados foguetes contra bases dos EUA no Iraque – um civil americano contratado pelo governo morreu.

Para o governo de Trump, os responsáveis por isso foram milícias apoiadas pelo Irã.

Os americanos, então, iniciaram ataques aéreos que mataram ao menos 25 pessoas no Iraque.

A resposta das milícias foi invadir a área da embaixada dos EUA em Bagdá por dois dias. Foi então que Trump ordenou a morte de Qassem Soleimani, que era o responsável pela rede de milícias aliadas do Irã em outros países do Oriente Médio.

O Irã retaliou na quarta-feira (8), disparando mísseis em bases dos americanos no Iraque, mas não matou nenhuma pessoa. O avião ucraniano, que estava a caminho de Kiev, caiu horas depois.

A maioria dos mortos eram iranianos ou então pessoas com dupla cidadania – havia dezenas de canadenses.

Depois de negar responsabilidade por três dias, os comandantes da Guarda Revolucionária admitiram que tinham sido eles que derrubaram a aeronave – um erro desastroso, afirmaram.

Um comandante disse que as autoridades sabiam desde o primeiro momento que o avião foi derrubado, e os iranianos se perguntam por que o governo negou esse fato durante três dias.

No Canadá, foram feitas vigílias. O primeiro-ministro Justin Trudeau disse, em um evento, que eles não vão descansar enquanto não tiverem respostas.

O Conselho de Segurança de Transporte do Canadá obteve vistos para dois de seus investigadores irem ao Irã.

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