O médico da Universidade de Kobe Kentaro Iwata acusou o Japão de fazer um trabalho pior do que o da China para proteger as pessoas do coronavírus. Ele fez as alegações depois de passar a terça-feira (18) a bordo do navio Diamond Princess, embarcação em quarentena, que no seu entendimento, não atende às exigências de uma câmara de isolamento.
Para Iwata, o navio não deveria ser usado como câmara de quarentena e a tripulação deveria ser removida o mais rápido possível, tendo em vista o perigo do contágio do novo coronavírus na embarcação. “Temos que assumir que todos os utensílios desse navio foram expostos a infecções”, disse.
A bordo do navio, o médico disse ter encontrado uma ampla ignorância das práticas adequadas de quarentena. Declarou que não havia barreiras claras que separavam a tripulação do navio suspeita de contaminação de pessoas sem sintomas.
Havia cerca de 3.700 passageiros e tripulantes na embarcação quando a quarentena de duas semanas começou, em 5 de fevereiro. Nesta quarta-feira, 19, foram confirmados 621 casos de coronavírus a bordo, de acordo com o Ministério da Saúde do Japão. Alguns passageiros desembarcaram na quarta-feira após apresentarem resultado negativo para o vírus e foram autorizadas a frequentarem transporte público no Japão.
Brasil
O Ministério da Defesa informou nesta quarta-feira (18) que voltou a dar negativo os exames clínicos nos 58 hóspedes do hotel montado na base aérea de Anapolis para a quarentena nacional contra o novo coronavírus. Este foi o terceiro teste realizado desde que eles chegaram ao local, no dia 9 de fevereiro. Segundo o ministério, ninguém apresentou qualquer sintoma que possa ser relacionado à doença, que recebeu o nome de Covid-19.
O grupo passará por avaliações clínicas de saúde, que incluem aferições de sinais vitais, medição de temperatura, pressão e frequência cardíaca e exame de nasofaringe, em todo o período de quarentena, que durará 18 dias. Estão isolados em Anápolis 34 ex-moradores de Wuhan, epicentro da doença, que foram resgatados por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Além deles, militares da tripulação e a equipe médica do voo também estão em quarentena. Segundo a FAB, 38 suítes foram preparadas, com TV, internet, frigobar, ventilador, telefone e ar condicionado.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após realizar inspeção dentro do navio chinês Kota Pemimpin, com bandeira de Hong Kong, liberou todos os tripulantes, incluindo os que apresentaram febre durante a viagem, e descartou a possibilidade de coronavírus (Covid-19). A inspeção foi realizada na tarde desta quarta-feira (19) após a embarcação atracar no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O navio receberá o Certificado de Livre Prática para operar no Porto.
O navio, que passou por quatro portos chineses em janeiro, chamou a atenção das autoridades após a notificação de dois casos suspeitos de coronavírus. Ele estava desde segunda-feira (17) na Barra de Santos aguardando boas condições para atracar e a manobra foi feita nesta quarta-feira (19).
