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O mercado de trabalho com carteira assinada teve o pior abril desde 2021, desapontando a expectativa de economistas e trazendo um sinal de alerta para o emprego nos próximos meses

Em abril, o saldo do emprego formal ficou em 85,9 mil vagas, segundo os dados do Novo Caged. (Foto: Alex Rocha/PMPA)

O mercado de trabalho com carteira assinada teve o pior abril desde 2021, desapontando a expectativa de economistas e trazendo um sinal de alerta para o emprego nos próximos meses. Em abril, o saldo do emprego formal ficou em 85,9 mil vagas, segundo os dados do Novo Caged. O resultado surpreendeu os economistas, já que a mediana de 21 estimativas coletadas pelo Valor Data apontava para criação líquida de 215 mil postos.

Na visão de Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, o dado traz um sinal de alerta para um eventual declínio ainda maior do emprego em 2026. “A criação de apenas 86 mil vagas frustrou as expectativas do mercado, sinalizando um possível movimento inicial de desaquecimento na geração de empregos.”

Segundo economistas consultados pelo jornal Valor Econômico, os próximos resultados do Caged serão fundamentais para atestar se o cenário reflete uma tendência estrutural de desaceleração do mercado de trabalho ou se aponta para um resultado atípico frente a um momento de resiliência do emprego e da atividade econômica.

Para Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, o número fraco de abril foi uma surpresa. “Surpreendeu a destruição de vagas, tanto do comércio, quanto da agricultura, e também a criação de vagas menos intensa do que se esperava para indústria e construção (…) A gente teve um mês de março muito forte e agora um abril muito fraco, que pode acelerar o movimento de desaceleração gradual do mercado de trabalho.”

Na análise setorial, o setor de serviços puxou a abertura líquida de vagas (69.601), seguido por construção (23.525) e indústria (9.256), enquanto comércio e agropecuária registraram fechamento de vagas de 8.114 e 8.378, respectivamente.

“Esse resultado ruim no agregado é fruto do resultado ruim de praticamente todos os setores. Agro, indústria e comércio também com o pior resultado desde 2021. Isso mostra que realmente o mês de abril foi muito ruim para todos os setores”, diz.

Para além da taxa de juros em patamar elevado, e dado que o afrouxamento monetário iniciado pelo Banco Central (BC) em março ainda não teve tempo para impactar o mercado de trabalho, Janaína Feijó, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), avalia que o alto endividamento das famílias pode estar influenciando o emprego – com menor disposição de compra, os empregadores acabam gerando menos vagas.

Feijó destaca que, na comparação com março, houve uma queda de cerca de 152 mil postos de trabalho no saldo mensal. “Essa queda vem muito por comércio e serviços. Eles responderam por mais de 60% da queda do saldo”, diz. “Quando a gente olha a variação anual, houve uma queda de mais de 320% em agro, na comparação com abril de 2025, uma variação muito forte para o mês. Não aconteceu nada de extraordinário este ano ainda, mas foi uma queda muito grande para o padrão de contratações do agro”, afirma.

Na mesma comparação anual, o comércio registrou a segunda maior retração em termos percentuais, de 117,9%. Com relação ao setor, a economista destaca que a situação deve se reverter à medida que se aproximarem momentos sazonais de alta, como as festas de fim de ano.

No caso da agropecuária, o dado de abril acende um alerta ainda maior, dada a alta probabilidade de um “super El Niño” interferir com a dinâmica de chuvas no país e prejudicar a safra brasileira. A economista alerta que, a depender das consequências deste fenômeno climático, a situação do emprego no setor pode chegar a patamares inéditos.

Para o economista do Santander Henrique Danyi, a perda de fôlego na criação de vagas formais indica ainda um cenário menos “desconfortável” para o BC do que o que se apresentava no primeiro trimestre.

“Quando voltamos para um patamar mais bem controlado, fica mais agradável falar que tem algum grau de confiança na desaceleração da atividade econômica (…) O Caged é significativo para como o BC vê a atividade, se está aquecida ou não”, afirma. As informações são do jornal Valor Econômico.

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