O mercado financeiro não tem nenhuma coloração político-partidária. Tem ideologia econômica e está alinhado às atuais equipes de Meirelles, Dyogo e Ilan, bem avaliadas. Isso traz alguns comportamentos às vezes difíceis de decifrar pela “lógica leiga”. Um exemplo: o fato de ter havido mais entrada do que saída de recursos externos nos dias subsequentes à bomba largada por Joesley Batista. E não foi pouco: quase US$ 3,5 bi de saldo em dois dias a favor do ingresso de dinheiro no País, segundo o Banco Central.
Neste momento, o mercado segue acompanhando, como todo o País, o que acontecerá depois que Joesley enrolou uma corda em torno do pescoço de Michel Temer. Mas o foco não está aí. Está na equipe econômica e seu projeto reformista. A preocupação maior é se o governo terá, nos próximos meses – seja qual for o presidente – como conseguir o aval do Congresso para uma reforma da Previdência e as mudanças das regras trabalhistas.
A agência de classificação de risco S&P deixou claro que os investidores estão de olho não exatamente na situação limite vivida por Temer. Quer rapidez na solução da “tensão política”, seja ela qual for, mas que mantenha no poder uma equipe com apoio no Congresso para avançar nas medidas econômicas. A agência não rebaixou de pronto a nota do País. Colocou sob observação. O que, tradicionalmente, significa dar um prazo em torno de três meses para a obtenção de resultados.
Quando o ministro da Fazenda faz questão de manter a agenda normal de teleconferências com representantes de bancos e corretoras, como se não estivesse ouvindo a crise política batendo à sua porta, está falando com seus próprios pares na linguagem que eles entendem.
Meirelles, que veio do mercado financeiro, dá um recado claro: não desistiu do projeto econômico. Por enquanto está sendo suficiente para manter sob certo controle as mesas de operação. Por isso, o interesse maior do mercado não é o de saber se Temer fica. É saber se a equipe econômica fica. (AE)
