Não é pose: ser melhor do mundo é uma estratégia para Cristiano Ronaldo, mas o craque do Real Madrid reconheceu ter um grande ponto frágil: “Não sei perder, me irrito muito. Grito, digo besteiras e depois me arrependo”. Três vezes vencedor da Bola de Ouro e maior artilheiro da história do Real Madrid, Cristiano aceitou revelar um pouco da sua intimidade por ocasião da estreia do documentário “Ronaldo”.
“Conheça o homem atrás do mito” é a frase promocional do filme, apesar de, na realidade, ele só permitir vislumbrar um Cristiano que faz sacrifícios, de personalidade familiar e bastante solitário. Sobre as suas relações amorosas – as gravações coincidiram com o processo de separação com a modelo Irina Shayk –, nem uma palavra.
“O meu pai também era uma pessoa solitária. Pode ser algo familiar, não sei. Mas não significa que eu não tenha amigos. Os meus amigos de verdade são quatro ou cinco. Isso é normal para mim e gosto que seja assim”, destacou o jogador na entrevista.
Sob a direção de Anthony Wonke, as câmeras seguiram o astro do futebol ao longo de um ano, desde que ele venceu a sua segunda Bola de Ouro em janeiro de 2014 – após três anos seguidos sendo derrotado por Lionel Messi – até a repetição da façanha em 2015.
No caminho, momentos de glória, como marcar o quarto gol da vitória na final da Liga dos Campeões sobre o Atlético de Madrid, em maio de 2014, em Lisboa (Portugal). E também ruins, como a derrota da seleção portuguesa para a Alemanha na Copa do Mundo.
O filme insiste na questão do sacrifício, na resistência à dor e na força de vontade necessária para Cristiano se transformar em CR7. E abre uma janela para a vida cotidiana e íntima do jogador, além do luxo e da sofisticação que permeiam um dos homens mais admirados do planeta. Apesar disso, a “ostentação” fica evidente em momentos pontuais, como quando o jogador deve escolher, a cada manhã, com qual dos seus caríssimos carros desportivos levará o seu filho à escola.
Filho.
Cristiano Ronaldo Júnior, 5 anos, tem um especial protagonismo no filme, no qual é mencionada a decisão do jogador de manter em segredo o nome da mãe do menino. “A experiência com Cristiano foi incrível. Nunca imaginei que pudesse ficar tão tocado. Para mim, era um sonho ter um filho jovem, com 25 anos. Ele mudou a minha forma de pensar, está sempre comigo e apoia-me”, disse.
Cristiano não evitou problemas espinhosos, como o alcoolismo do seu pai, José Dinis Aveiro, morto, em setembro de 2005, como consequência da dependência; os problemas do seu irmão com as drogas; e a revelação da sua própria mãe, María Dolores dos Santos, que ele foi um filho não desejado e que, inclusive, tentou abortar.
“No princípio, fiquei tímido. Eu mesmo não esperava que fosse me abrir desse modo, mas aconteceu naturalmente. Sentia-me bem com a equipe do filme”, afirmou. Para o jogador, a família é a base do seu êxito. E considera que se há um fato que forjou o seu caráter foi ter decidido ficar em Lisboa, aos 11 anos, quando assinou pelo Sporting, clube que o revelou para o futebol. “Foi o pior momento da minha vida, mas também acredito que esse é o motivo da minha força mental. Deixei os meus pais, o meu irmão, os meus amigos. Foi muito duro”, ressaltou.
Sobre o seu futuro, ele deixou aberta todas as possibilidades: “Por enquanto, estou feliz no Real Madrid. Quem sabe no futuro? Você tem que fazer coisas que o deixem cômodo e feliz”.
O craque reitera que a atitude de “ser o melhor” não é uma simples bravata: “Na minha cabeça, sou o melhor. E acredito que todos deveriam pensar assim de nós mesmos se quisermos conseguir grandes coisas”.
