O Ministério da Saúde assinou portaria que autoriza o financiamento de 3.965 leitos de UTI para coronavírus, que serão custeados pela União. Os leitos foram liberados após cobrança de governadores que, em carta, pediram apoio do governo federal para evitar “colapso total” dos sistemas de saúde. Serão autorizados leitos em 21 estados, diz a portaria. Nem todos os governadores que assinaram a carta, entretanto, receberão leitos —ficaram de fora os estados do Acre, Amapá, Distrito Federal e Pará.
Para autorizar o funcionamento seguro de um leito, ele tem que cumprir critérios mínimos, inclusive sanitários. Não podemos simplesmente repassar dinheiro”, afirmou o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Luiz Otávio Franco Duarte, em entrevista coletiva. “Não posso financiar, com recursos de União, apenas uma cama. O Ministério da Saúde tem toda a boa vontade do mundo de que o leito se reestruture e dê verdadeiro acesso à saúde, mas milagres também não existem”.
Já o secretário executivo da Pasta, Élcio Franco, reforçou o argumento. “Vocês nunca ouviram reclamações de gestores dizendo que os leitos não tiveram a sua habilitação autorizada porque [os gestores] sabiam que estavam com algum dado incompleto”.
O estado de São Paulo foi o que recebeu autorização para o maior número de leitos: 914. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul (592), Paraná (513) e Minas Gerais (456). Na outra ponta, estão o Alagoas (7), Maranhão (8) e Piauí (20).
O Ministério da Saúde já havia financiado 564 dos 3.822 leitos solicitados pelo estado de São Paulo, após o governo estadual entrar com ação no STF (Supremo Tribunal Federal). O baixo número de leitos, entretanto, fez a ministra Rosa Weber pedir explicações à Saúde.
Segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), 25 das 27 capitais do Brasil têm taxa de ocupação de leitos de UTI para covid-19 iguais ou superiores a 80%. A situação é especialmente grave em 16 capitais, entre elas Brasília e Rio de Janeiro, onde os porcentuais ultrapassam os 90%.
Encontro
O presidente da República, Jair Bolsonaro, se reuniu na noite do sábado (13), em Brasília, com os ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Fernando Azevedo (Defesa). O encontro, realizado no Hotel de Trânsito do Exército, onde Pazuello mora, não constava da agenda de nenhuma das autoridades e durou pouco mais de uma hora.
De acordo com a Secretaria Especial de Comunicação, trata-se de um compromisso privado de Bolsonaro e o assunto não foi divulgado. Aos finais de semana, é comum o presidente deixar o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, para encontros informais.
