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O Ministério da Saúde habilita quase 3 mil leitos de UTI em 22 Estados

Dois terços dos que passaram por UTI precisam de algum cuidado. (Foto: Ana Lucietto/HRSP/Divulgação)

O Ministério da Saúde habilitou 2.779 leitos de UTI para atendimento exclusivo de pacientes com coronavírus em 22 Estados. O Brasil sofre com a falta de vagas em leitos hospitalares em todo o país.

Na terça-feira (16), boletim da Fiocruz apontou o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil, com 24 estados e o Distrito Federal registrando taxa de ocupação superior a 80%. A habilitação dos leitos foi anunciada no sábado (20) pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais.

Em fevereiro, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) alertou para a queda no número de leitos de UTI financiados pelo governo federal, quando já se previa um aumento de casos de Covid-19 em todo país. Na época, secretários apontaram um corte de 4.530 leitos dos 7.717 financiados pelo Ministério da Saúde em janeiro. Na ocasião, nove estados já estavam com lotação acima de 80%. Neste mês, o Conass apresentou estudo mostrando uma queda de 71% no financiamento de leitos de UTI pela União de julho de 2020 a março desse ano.

Os leitos habilitados pelo Ministério da Saúde atenderão municípios de 22 unidades da federação: Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.

De acordo com a pasta, serão repassados R$ 71,9 milhões mensalmente aos estados para custear estes leitos. “Apesar de estados e municípios terem autonomia para criar e habilitar os leitos necessários, o Ministério da Saúde, em decorrência do atual cenário de emergência, disponibiliza recursos financeiros e auxílio técnico para o enfrentamento da doença”, diz a nota da pasta.

Somente no estado do Rio de Janeiro na sexta-feira (19) havia 376 pessoas na fila por uma vaga de UTI. Neste sábado (20), o cientista Miguel Nicolelis alertou para possibilidade de que o país chegue em 500 mil mortos pela Covid-19 até julho. Além do colapso nos leitos de hospital, o país também enfrenta situação crítica em relação ao fornecimento de insumos necessários para o atendimento a pacientes de Covid-19.

Falha

Outras situações críticas têm sido verificadas pelo Brasil. No Rio Grande do Sul, pelo menos seis pessoas morreram depois de uma falha no fornecimento de oxigênio. Um hospital da Região Metropolitana de Porto Alegre registrou “instabilidade na distribuição do oxigênio” por cerca de 30 minutos.

Todos os pacientes tinham Covid-19, mas a instituição diz não ser possível determinar se as pessoas morreram pela falta do oxigênio. No momento da falha, 26 pessoas recebiam ventilação mecânica.

Em São Paulo, dez pacientes precisaram ser transferidos com urgência depois de um problema no fornecimento de oxigênio durante a madrugada deste sábado.

Segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo, houve atraso na entrega do gás e, por conta disso, o município “transferiu pacientes por segurança”, mas o fornecimento já foi normalizado.

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