A procuradora da força-tarefa da Operação Lava-Jato de São Paulo Adriana Scordamaglia afirmou ver com “estranheza” o habeas corpus dado pelo ministro Gilmar Mendes ao engenheiro Paulo Vieira de Souza, apontado com operador do PSDB, sua filha, Tatiana Arana de Souza, e Geraldo Casas Vilela, ex-diretor de Assentamentos da Dersa.
Os três foram presos no dia 30 de maio, por ordem da juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, e soltos apenas 12 horas depois pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Eles são acusados de desvios de R$ 7,7 milhões da Dersa em reassentamentos no âmbito das obras do Rodoanel Trecho Sul.
Adriana Scordamaglia reiterou ver risco às testemunhas envolvidas no processo. “Na minha visão, sim, e com toda a certeza. O ministro Gilmar Mendes diz que só testemunhas de defesa seriam ouvidas agora, e isso não é verdade. Serão ouvidas testemunhas arroladas pela acusação em breve.”
Gilmar soltou o operador do PSDB, sua filha e Casas Vilela ainda quando transcorria a audiência de custódia na Justiça Federal em São Paulo. A procuradora relata que a reação dos réus à notícia sobre o habeas foi “obviamente de felicidade”.
“É uma audiência que todos que dela participaram e dela tomarem conhecimento vão se lembrar pelo resto da vida, porque é uma audiência sui generis a qual foi atropelada ao seu final com uma liberdade concedida pela última instância havendo também supressão das instâncias, já que o Supremo Tribunal Federal é a última instância que os réus devem recorrer”, afirmou.
“Nós só cumprimos o nosso papel, não vamos esmorecer com decisões como essa, porque queremos que a Justiça seja feita, é só isso. E gostaríamos de poder trabalhar com nossos direitos assegurados e com a credibilidade daquilo que escrevemos”, disse Adriana Scordamaglia.
Nas suas próprias redes sociais, Adriana já compartilhou várias notícias envolvendo Gilmar Mendes, geralmente críticas ao ministro e a uma suposta parcialidade que ele demonstraria em suas decisões, sobretudo no âmbito da Operação Lava-Jato.
Responsável pelo caso
Vinte dias antes de conceder o habeas corpus que livrou o engenheiro Paulo Vieira de Souza da prisão pela primeira vez, o ministro Gilmar Mendes sugeriu que não era, necessariamente, o responsável pelo caso no STF (Supremo Tribunal Federal). A avaliação foi feita quando o ministro negou um dos recursos da defesa de Souza, mais conhecido como Paulo Preto.
Apesar da negativa inicial, em recurso seguinte, o pedido de habeas corpus, o ministro soltou Paulo Preto sem voltar a tocar no assunto da responsabilidade pelo processo. Isso tudo aconteceu entre abril e o início de maio, antes de Paulo Preto ser novamente preso no dia 30 de maio. Horas depois, ele foi solto mais uma vez por decisão de Gilmar Mendes.
