O ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu de última hora cancelar a sua participação em uma transmissão ao vivo promovida pelo banco Itaú. A entrevista com o ministro estava prevista para esta sexta-feira (24), às 10h30min, mas foi cancelada um minuto antes do horário marcado.
A entrevista do ministro fora confirmada pela assessoria na véspera pelo Itaú e pelo Ministério da Economia. A assessoria de imprensa do ministro não informou o motivo do cancelamento.
A transmissão ocorreria no mesmo momento em que o agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro anunciou a sua demissão. A saída foi provocada pela exoneração do chefe da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
Essa seria a primeira aparição pública de Guedes depois do governo lançar o programa Pró-Brasil, para a recuperação econômica do País baseada no investimento público, o que vai contra as diretrizes do ministro.
Guedes x Rogério Marinho
Antes de Jair Bolsonaro fazer seu pronunciamento no final da tarde desta sexta (24), os ministros estavam reunidos no Palácio do Planalto. Aí deu-se este diálogo entre Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), presenciado por vários dos que estavam na sala:
Marinho – Nós precisamos conversar.
Guedes – Eu não converso com você privadamente. Só converso com você na frente de outros ministros, porque você é desleal.
Marinho – Você acha que só você entende de economia.
Guedes – Entendo mais do que você. Você é despreparado.
Procurados, tanto Guedes como Marinho disseram que preferiam não comentar o episódio.
Ministro emparedado
Paulo Guedes é o último superministro de Bolsonaro. Sérgio Moro (Justiça) e Santos Cruz (Secretaria de Governo) caíram. Onyx Lorenzoni perdeu a Casa Civil e tem menos poder agora no Cidadania.
O titular da economia se sente cada vez mais isolado. Uma eventual saída de Guedes indicará o início de um outro tipo de governo Bolsonaro.
“Isso é fogo amigo, PG. Pode deixar comigo”, tem dito Bolsonaro ao ministro da Economia, chamando-o pelas iniciais. As palavras do presidente ainda não têm sido suficientes para estancar o ataque especulativo.
Guedes paga um preço por não ter sido político no trato com o Poder Legislativo. Foi duríssimo na relação com o Congresso. Dinamitou pontes. Ficou com pouca ou nenhuma interlocução.
Os partidos agora cortejados por Bolsonaro não querem Guedes na Economia. Por quê? Porque o ministro é linha dura na liberação de verbas. O “centrão”, como é conhecido o grupo, identifica no ministro um obstáculo para destravar o Orçamento para obras bancadas pelo governo.
A irritação do ministro foi ao paroxismo quando a TV Record produziu uma longa reportagem com críticas acerbas ao seu desempenho.
