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O ministro da Fazenda diz que a reforma da Previdência deve manter cerca de 50% da proposta original do governo

Meirelles (foto) falou após café da manhã na residência do presidente da Câmara. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira (09) que o governo deve apoiar a aprovação, no Congresso, de uma proposta de reforma da Previdência que mantenha cerca de 50% do texto original.

Meirelles falou a jornalistas após deixar café da manhã na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para discutir a reforma da Previdência. O presidente Michel Temer, ministros do governo, líderes de partidos da base aliada no Congresso e o relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), também estavam no encontro.

De acordo com o ministro, o governo não vai abrir mão de manter na proposta alguns pontos, entre eles a criação de idade mínima para aposentadoria, que hoje, no texto, está em 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. Meirelles disse que o texto final da proposta ainda não está fechado e que é alvo de discussão no Congresso, que terá a última palavra. Ele apontou, porém, que, independente de qual seja a versão final, é preciso que ela contribua para reduzir o déficit da Previdência e equilibrar as contas públicas nos próximos anos.

Para o ministro da Fazenda, durante a reunião se consolidou o entendimento de que é preciso votar a reforma da Previdência ainda neste ano. Meirelles argumentou que a reforma vai permitir a eliminação de privilégios, já que, segundo ele, atualmente as pessoas de maior renda se aposentam mais cedo do que aquelas com menor renda.

Instabilidade

O café da manhã desta quinta-feira é mais uma tentativa de Temer de articular a aprovação da reforma da Previdência. O esforço ocorre após o presidente sinalizar, no início da semana, que o governo havia “jogado a toalha” em relação à reforma, o que provocou instabilidade no mercado financeiro.

Depois disso, auxiliares do presidente têm afirmado que o governo não desistiu de aprovar a reforma em 2017, ainda que admitam a necessidade de ceder e deixar o texto mais enxuto para garantir apoio no Congresso faltando menos de um ano para as eleições.

Abalo

Meirelles, afirmou na quarta-feira (08) que o abalo observado na terça-feira (07) na Bolsa de Valores, em função da possibilidade de o governo desistir de votar a reforma da Previdência ainda neste ano, foi em decorrência de “informação e percepção equivocadas de que o governo tinha jogado a toalha” em relação à aprovação da matéria pelo Legislativo. Sobre a possibilidade de o texto ser alterado, o ministro disse que “a palavra final é do Legislativo, e não do Executivo”.

“O que abalou os mercados foi a informação e a percepção equivocadas de que o governo tinha jogado a toalha na [questão da] Previdência. Era uma informação equivocada”, disse o ministro após reunir-se com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto.

Na avaliação de Meirelles, a reação do mercado teve papel didático, no sentido de mostrar a relevância que essa reforma tem para a economia do País. “Por outro lado, acho que isso foi didático, no sentido de demonstrar claramente que é importante a reforma da Previdência para a economia. Temos de encarar a realidade política e também econômica”, acrescentou o ministro.

 

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