Em meio à disputa travada entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores, o governo federal promoveu a primeira reunião do Conselho Nacional de secretários de Transportes, que visa alinhar ações em estradas, aeroportos e portos no combate ao coronavírus.
A reunião, na noite desta sexta-feira (20), via internet, foi coordenada pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e teve a participação de 22 representantes de estados e do Distrito Federal. Bolsonaro e governadores têm entrado em atrito em uma disputa de autonomia pela tomada de decisões que envolvam o combate ao novo coronavírus.
De acordo com a pasta, um dos temas de consenso na reunião foi a garantia da livre circulação de cargas em rodovias durante a pandemia. Os participantes se comprometeram a ajustar eventuais decretos que tratem de restrição de comércio e serviços para viabilizar a oferta de produtos essenciais.
Em relação aos aeroportos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai autorizar protocolos sanitários complementares. O governo federal vai permitir a atuação de representantes de estados e municípios em determinadas áreas dos terminais.
Nos portos, devem ser implementados escala eletrônica, restrição de tripulações, identificação de trabalhadores em grupos de risco e regulamentação de renda básica para portuários afastados das funções. O objetivo é manter o funcionamento dos terminais.
Sobre o transporte terrestre de passageiros, o governo se comprometeu a avaliar peculiaridades de cidades integradas, como é o caso de Brasília e entorno. Essas regiões seriam mais impactadas por eventuais restrições de circulação.
Saúde
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o Sistema Único de Saúde (SUS) têm tumultos e pontos de problema, mas não está em colapso, e que o governo está atuando de forma a preparar a rede para o crescimento dos casos confirmados da covid-19.
“Nós temos muitas forças. Se nós não fizéssemos nada, se não aumentássemos a nossa capacidade instalada, se nós ficássemos parados, olhando, nós teríamos um mega problema, porque esse sistema, do jeito que ele vem, sem fazer nada, você colhe um colapso”, afirmou, em entrevista coletiva concedida no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. “Nosso sistema ainda aguentaria, mesmo com a capacidade instalada normal, por volta de 30 dias.”
Mandetta teve que fazer o esclarecimento após ter dito, mais cedo, que o sistema entraria em colapso até o fim de abril em razão da pandemia do novo coronavírus. “Claramente, em final de abril nosso sistema de saúde entra em colapso. Colapso é quando você tem dinheiro, mas não tem onde entrar (nos hospitais)”, afirmou.
Na entrevista concedida há pouco, Mandetta disse que problemas nos sistemas de saúde, como emergências superlotadas, existem no mundo todo. Ele afirmou que o SUS é forte, tem capilaridade nacional e conta com 46 mil equipes de saúde de família, que atendem milhões de brasileiros. “Teve gente que falou que o SUS está sempre em colapso, gente que diminui nosso sistema de saúde”, disse, em defesa do SUS.
