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O ministro da Justiça garante que os índios venezuelanos que estão no Brasil serão ajudados pelo governo enquanto for necessário

Torquato Jardim (D) visitou imigrantes que fogem da crise no país vizinho. (Foto: Reprodução)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, e o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Franklimberg de Freitas, visitaram na sexta-feira o abrigo estadual onde estão alojados os índios e não-índios venezuelanos em Boa Vista, capital do Estado de Roraima. O objetivo foi conhecer a situação dos imigrantes venezuelanos e oferecer apoio ao governo local em ações que atendam a índios e não-índios que fogem da crise no país vizinho.

Jardim disse que pretende expandir o trabalho da Polícia Federal ao Norte de Roraima, região que o país faz fronteira com a Venezuela, para que seja feita a identificação de venezuelanos que entram no país por Roraima. “A nossa ação será a curto prazo. Vamos instalar mais postos da Polícia Federal ao Norte do Estado. Expandir a capacidade de trabalho da Polícia Federal de Boa Vista e de Manaus, identificando os imigrantes que chegam”, diz.

Na avaliação do ministro, Roraima vive uma circunstância humanitária com a chegada de venezuelanos. “Vamos o buscar no orçamento para ajudar os nossos vizinhos. Podemos ajudar o governo do estado na questão de saúde, segurança e educação”, diz o ministro.

O presidente da Funai, Franklimberg de Freitas, disse que não houve avanço no projeto de interação cultural entre os índios venezuelanos Warao e os índios da etnia Wapichana, de Roraima, proposto pelo governo do Estado em março. “Aconteceu essa tentativa, mas os nossos indígenas gostariam de auxiliar os Waraos. Entretanto, quando você fala em ceder o seu território para outro grupo, isso dificulta a conversação. Ocorreu a iniciativa, mas foi encerrada. Mas os atendimentos continuam nos centros de atendimento para os índios venezuelanos”, explica.

Ainda conforme Jardim, nesta segunda-feira uma equipe do Ministério da Justiça chegará a Roraima para montar as instalações do centro de triagem em Boa Vista. “Utilizaremos mecanismos de apoio para serem preenchidos os processos legalmente [de entrada de venezuelanos no país]. É necessário protocolos como permanência no estado, reconhecimento por foto, impressões digitais, até que se tenha o visto de permanência no Brasil”, acrescenta o ministro.

Além disso, a governadora Suely Campos falou sobre um local de apoio aos imigrantes que deve ser criado na região de fronteira.
“Vamos instalar em Boa Vista e em Pacaraima uma organização e monitoramento dos indígenas venezuelanos. Esse acampamento não é definitivo, ele tem tempo para entrar e sair. São problemas novos [imigrações] para o Estado e não sabemos lidar com isso”, afirma.

Triagem

De acordo com Torquato Jardim, a atividade de triagem facilitará o serviço da Polícia Federal, que poderá emitir documento de autorização para o imigrante venezuelano viajar pelo Brasil. “É uma maneira criativa da Polícia Federal de emitir um simples protocolo”, sustenta.
Questionado, Torquato Jardim descartou a possibilidade de impedir a entrada de venezuelanos no Brasil. De acordo com ele, a solução definitiva para acabar com o fluxo imigratório é reinstalação da democracia na Venezuela.

“Temos de lidar com a consequência da desordem política e econômica na Venezuela. Impedir não é bom, uma barreira é impossível. O que temos é mecanismo de contenção no Norte do Estado”, frisou. “Temos medidas paliativas. O sucesso pode criar mais problemas ainda. Se o governo do estado em parceria com o governo federal for bem sucedido na saúde, qualidade de vida e educação eles [venezuelanos] não vão mais embora.”

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