O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou, em visita à Sorocaba (SP), que devem ser instalados em hospitais públicos novos pontos eletrônicos e os médicos terão que comprovar a presença no expediente. O controle será aplicado após a denúncia de um esquema que ficou conhecido como “farra do ponto” no Conjunto Hospitalar de Sorocaba.
Na época, os profissionais Newton Canicoba, Francisco Manoel dos Santos Mendes e Elias Agostinho Neto foram flagrados no momento em que registravam o ponto de entrada, deixavam o hospital e só voltavam no fim do expediente.
Em entrevista durante uma entrega de ambulâncias em Sorocaba, Ricardo Barros disse que a mudança no sistema irá combater o problema.
“O sistema de biometria do e-SUS AB, que é o sistema de informatização das UBSs, é o sistema em que o servidor coloca a biometria e o sistema fica por quatro horas registrando tudo o que ele faz no horário de trabalho: hora que começa uma consulta, hora que termina e o que prescreve. Portanto, teremos a certeza da produtividade do servidor público”, disse.
Os novos equipamentos serão instalados em vários setores dos hospitais. Segundo o ministro, 20 empresas estão interessadas em participar da licitação para instalação do novo controle.
Os três profissionais da saúde, dois médicos e um dentista, foram indiciados pela Polícia Civil por falsidade ideológica no dai 22 de fevereiro.
Segundo o delegado Marcelo Carriel, ficou comprovado que o cirurgião dentista Elias Agostinho Neto foi chamado para procedimentos no hospital e não foi encontrado.
Inquérito
O inquérito será encaminhado para a Justiça e a polícia pediu o bloqueio dos bens materiais dos três para possíveis indenizações aos cofres públicos, já que os médicos e o dentista teriam recebido sem trabalhar. Newton Canicoba não quis falar com a imprensa. Francisco Manoel dos Santos Mendes não compareceu e informou à polícia que está viajando. O dentista Elias Agostinho Neto disse que é inocente.
“No meu ver, eu não cometi crime nenhum. Contra o patrimônio, contra nada.”
Uma ação integrada de promotores também investiga a “farra do ponto”. A “força-tarefa” apura se outros profissionais que atuam no hospital também agiam dentro do esquema.
Durante reportagem da TV TEM, os três médicos foram flagrados participando do esquema, em que registram a entrada, deixam o hospital e só voltam no fim do expediente para marcar a saída.
Neste meio tempo, o médico anestesista Francisco Manoel dos Santos Mendes, o cirurgião-dentista Elias Agostinho Neto e o cirurgião plástico Newton Canicoba foram para casa, padaria ou academia, fizeram compras e até atenderam pacientes em clínicas particulares.
