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O ministro das relações exteriores orienta os diplomatas brasileiros a não participarem de homenagens a general iraniano

O ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo. (Foto: Itamaraty)

O Itamaraty instruiu oficialmente diplomatas brasileiros a não comparecerem a nenhuma cerimônia em homenagem ao general iraniano Qassim Suleimani, morto pelas forças americanas no Iraque.

Em circular telegráfica obtida pela Folha, o ministério diz: “Rogo a vossa excelência não comparecer a nenhuma cerimônia em memória do general Qassim Suleimani, ex-comandante da Força Quds iraniana, e de Abu Mahdi al-Muhandas, ex-chefe da milícia Hizbullah, nem assinar livro de condolências em suas homenagens”.

Suleimani era a segunda autoridade mais importante do Irã e comandava a Guarda Revolucionária do país. O iraquiano al-Muhandas era comandante de milícias xiitas no Iraque e estava junto com Suleimani quando o comboio em que estavam foi atingido por um drone americano, próximo ao aeroporto de Bagdá.

Indagada, a embaixada do Irã no Brasil informou que nenhum representante do Itamaraty prestou condolências ou assinou o livro na representação do país em Brasília. A embaixada enviou convite ao ministério por meio de nota verbal. Procurado, o Itamaraty não retornou aos pedidos de informação até a publicação desta reportagem.

O alinhamento do Brasil com os EUA já vinha provocando tensões com o Irã. O governo iraniano convocou a encarregada de negócios da embaixada do Brasil no país, Maria Cristina Lopes, para reclamar da nota oficial divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores sobre o ataque que matou o general Suleimani.

Na nota, do dia 3, o Brasil manifestou “apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”. Lopes foi chamada porque estava no lugar do embaixador, Rodrigo Santos. Segundo o Itamaraty, a conversa foi cordial. Na prática diplomática, uma convocação desse tipo é um ato de reprimenda.

Indagado por jornalistas nesta terça (7) se o Brasil poderia adotar postura semelhante e convocar os diplomatas que estão no Irã, o presidente Jair Bolsonaro não respondeu. Ele disse que aguarda para saber o que vai acontecer após a convocação e uma conversa que terá sobre o tema com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Histórico

O conflito entre os dois países, entre 1980 e 1988, teve como como pano de fundo disputas territoriais. As relações entre os dois países se deterioraram após a Revolução Iraniana, em 1979. O novo regime em Teerã pregava o pan-islamismo, em contraste com o nacionalismo árabe do partido Baath iraquiano, de Saddam Hussein. O governo iraquiano, de orientação sunita, se opunha ao regime dos aiatolás xiitas. O conflito matou 1,5 milhão de pessoas.

A queda do regime de Saddam, em 2003, levou à normalização das relações entre os dois países. Desde janeiro de 2010, assinaram mais de cem acordos econômicos e de cooperação. O Iraque permitiu que os muçulmanos xiitas do Irã pudessem fazer as suas peregrinações a lugares sagrados xiitas no país. Em março de 2008, o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi o primeiro presidente iraniano a visitar o Iraque desde a Revolução Islâmica. Hoje, ambos os governos têm orientação xiita. O Irã exerce grande influência sobre o Iraque. Suas milícias e grupos paramilitares, como a Kataib Hezbollah, formaram uma grande coalizão para lutar contra os terroristas do Estado Islâmico (que é sunita).

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