O ministro do Trabalho, Caio Veira, dispensou o seu secretário-executivo, Admilson Moreira, depois que a imprensa revelou um áudio dele enviado a um grupo de auditores fiscais no WhatsApp, falando em “aparelhamento da máquina pública” por partidos que comandaram a pasta, como PT, PDT, Solidariedade e PTB, além da Força Sindical e da bancada evangélica.
A exoneração foi publicada na edição dessa quarta-feira do Diário Oficial da União. Ele voltará a ser auditor fiscal no órgão.
Na gravação revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, Admilson afirmou que “a coisa degringolou mais ainda, porque juntou esse aparelhamento sindical à ânsia do PTB de se locupletar”. Ainda acusou a bancada evangélica de também ter bebido “dessa fonte” e o ministério, de não estar dedicado ao “interesse social”.
O áudio abriu uma crise na pasta e motivou o ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira a entrar com requerimento de convocação de Caio Vieira na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados. “O ministro vai ter que explicar também sobre as autuações de trabalho escravo a que responde”, disse Nogueira. A assessoria do Ministério do Trabalho não quis se manifestar.
“Infiltração”
Aos colegas auditores, Admilson traçava uma forma de “se infiltrar” na equipe de transição de Bolsonaro para poder defender a manutenção do Ministério. Ele ainda acusou o coordenador de assuntos jurídicos de Bolsonaro, Pablo Tatim, de querer “fatiar” a pasta.
Procurado, o secretário disse se tratar de gravação “de interesse privado” e que apenas relatou fatos noticiados pela imprensa ao falar de aparelhamento por partidos. Em relação a Tatim, Admilson reafirmou a crítica e atribui a ele a ideia de desmembrar o ministério.
Reação
Em meio ao incidente, o deputado Ronaldo Nogueira, ex-ministro do Trabalho, oficializou um pedido de convocação do atual titular, Caio Vieira. Ele quer ouvi-lo sobre as declarações de seu então secretário-executivo, Admilson Moreira, sobre o “aparelhamento” partidário na pasta.
“O ministro vai ter de explicar também sobre as autuações de trabalho escravo a que responde”, frisou Nogueira. A assessoria do Ministério do Trabalho não quis se manifestar.
Onyx
Na semana passada, a corregedoria do Ministério do Trabalho notificou o secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência e atual coordenador de assuntos jurídicos do gabinete de Transição, Pablo Tatim, quanto à abertura de processo administrativo-disciplinar para investigar suposta conduta irregular enquanto ele ocupava o cargo de assessor especial do Ministério do Trabalho. Tatim tem assessorado o ministro extraordinário da Transição, Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil de Bolsonaro.
O processo foi aberto em 2017 e apura irregularidades envolvendo pagamento de diárias e passagens a Tatim e uma “nomeação casada”. Ele teria ido trabalhar no gabinete de um desembargador do Rio Grande do Norte em troca da nomeação da mulher do magistrado no Ministério do Trabalho. Tatim esteve na pasta no governo Temer, quando o ministro era Ronaldo Nogueira.
