Atualmente as pessoas preferem não tocar no assunto política se querem ter uma conversa agradável. Esse tema é incontornável e polêmico, uma vez que a existência de corrupção e de manipulação de ações para atender interesses específicos agrava o quadro negativo em que ele está inserido. A política é o instrumento de ação e transformação da sociedade, mas por que ninguém mais aguenta debater sobre isso?
Simples. A pluralidade política que caracteriza a democracia foi reduzida a dois extremos: esquerda e direita. Tal cenário abre espaço para discursos rasos e sem o mínimo de reflexão sobre seus efeitos na sociedade. O antagonismo político aniquila qualquer possibilidade de diálogo, pois provoca ódio e ressentimento social. Ninguém muda mais de ideia, ninguém dá o braço a torcer. As pessoas encontram-se blindadas em suas convicções.
A partir desse dualismo de opiniões, vamos redefinindo nossas amizades, grupos e relações com a família. Esse caminho medíocre em que duas ideias são soberanas corrobora para o crescimento do muro invisível que está sendo construído pouco a pouco na nossa sociedade. Uma plataforma liberal que deveria estar sendo discutida é colocada em segundo plano, pois a população acredita que só o extremismo poderá nos “salvar”.
Esta é a hora de trocarmos de vez o velho modo de se fazer política por algo fresco, que tenha no seu cerne o que a população realmente acredita e precisa. A corrupção, que é o fator causador dessa discórdia de opiniões, só será minimizada se o domínio do Estado encolher e se apenas as atribuições básicas forem dadas a ele. Não há diminuição do Estado nos extremos.
Nina Mazzali da Costa – empresária e associada do IEE
