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O papa celebra a Via Crúcis dedicada a escravas sexuais e prostitutas

Neste ano, o papa escolheu para as meditações da Sexta-Feira Santa a religiosa italiana Eugenia Bonetti, que atua na assistência às vítimas de escravidão. (Foto: Vatican News)

O papa Francisco presidiu na sexta-feira (19) a cerimônia da Via-Crúcis no Coliseu, em Roma, acompanhado por uma religiosa militante que leu texto dedicado às “escravas modernas”, entre elas, as prostitutas.

A Via-Crúcis revive a tradição cristã do Calvário de Jesus Cristo, desde sua condenação à morte até sua crucificação, morte e seu sepultamento.

Neste ano, o papa escolheu para as meditações da Sexta-Feira Santa a religiosa italiana Eugenia Bonetti, 80, que atua na assistência às vítimas de escravidão.

No texto, Bonetti falou sobre os “novos crucificados da História”; em primeiro lugar, as escravas sexuais, “utilizadas mas condenadas por uma sociedade que rejeita ver esse tipo de exploração”.

A religiosa enumerou os destinos de jovens mulheres, como a de “uma menor de idade, encontrada ontem [quinta-feira] em Roma, que homens em carros luxuosos se revezavam explorando”. “Sem dúvida, poderia ter a idade de sua filha”, afirmou.

A cerimônia teve a participação de 200 mil fiéis.

Em uma curta oração final, o papa Francisco pediu que não sejam ignoradas “todas as cruzes do mundo”, como “a dos imigrantes que encontram as portas fechadas pelo medo, e o coração blindado pelos cálculos políticos”.

Também fez alusão a uma sociedade em vias de secularização, em que os religiosos se sentem “rejeitados, ofendidos e humilhados”, e fiéis “marginalizados e rejeitados por seus próximos”.

Sem coração

O papa Francisco surpreendeu o comediante britânico Stephen K. Amos ao dizer-lhe “as pessoas que decidem rejeitar o outro por um adjetivo não têm coração humano”, se referindo à comunidade LGBT. Amos, que é gay e não pratica nenhuma religião, se encontrou com o papa no programa do canal de TV BBC “Pilgrimage: The Road To Rome” (Peregrinação: a viagem até Roma).

Ele fez parte de um grupo de 15 celebridades que percorreram a pé o tradicional caminho que liga Canterbury, na Inglaterra, à Roma, em setembro do ano passado.

Ao chegar na capital italiana, o grupo foi informado pelos produtores do programa que o papa havia aceitado recebê-los para uma audiência.

“Eu disse não”, contou Amos ao site inews. O comediante afirmou que têm criticado abertamente certos aspectos da Igreja Católica e que, por isso, não se sentia confortável em encontrar-se com o papa e ser abençoado por ele.

“Eu não poderia ir lá e fazer isso em sã consciência. Eu não sou assim”, disse Amos.

O comediante perguntou então aos produtores se o grupo seria autorizado a fazer perguntas a Francisco.

“O papa responderá a quaisquer perguntas que vocês tiverem” foi a resposta que Amos recebeu.

Parte do encontro entre os dois foi divulgada pela BBC na sexta-feira (19) em uma rede social.

No vídeo, Amos diz: “Ao decidir participar desta peregrinação, sendo uma pessoa não religiosa, eu estava à procura de respostas e de fé. Mas, como um homem gay, eu não me sinto aceito”.

“Dar mais importância ao adjetivo do que ao substantivo não é bom. Todos somos humanos e temos dignidade. Não importa quem você é ou como você vive a sua vida, você não perde a sua dignidade [por isso]”, responde o papa.

“Aqueles que preferem selecionar ou descartar as pessoas por causa de um adjetivo não têm um coração humano”, diz Francisco.

Os presentes ficam visivelmente emocionados.

“Eu me sinto fraterno entre vocês, e não lhes perguntei qual é a sua fé ou no que vocês acreditam, porque sei que vocês têm uma fé básica em toda a humanidade”.

O pontífice conclui pedindo que os participantes do programa que são católicos rezem por ele.

“Aqueles entre vocês que não são [católicos], me desejem uma boa jornada, para que eu não decepcione ninguém”, diz Francisco.

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