Por diferença de apenas um voto, o Parlamento britânico decidiu nesta quarta-feira (3) que o Reino Unido não poderá deixar a UE (União Europeia) sem um acordo no próximo dia 12. A proposta, que recebeu 313 votos a favor e 312 contra, será encaminhada à Câmara dos Lordes, que deve ratificá-la. As informações são do portal de notícias G1.
Desta forma, a primeira-ministra Theresa May será forçada a pedir uma nova extensão no prazo à União Europeia. No entanto, nada obriga o bloco a concordar com essa decisão. Caso seus representantes não estejam de acordo, é mantido o prazo.
A única forma de conseguir uma nova extensão seria apresentar uma nova proposta que a União Europeia aceite.
A própria premiê defendeu um adiamento na terça-feira. A saída “sem acordo à meia-noite de 12 de abril é agora um cenário bem provável. Não é o desfecho que quero. No entanto, é um desfecho para o qual me certifiquei de que a UE está pronta.”
Mas o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que os britânicos não terão novas datas, a menos que o Parlamento em Londres ratifique o acordo de saída até o limite máximo de 12 de abril.
“O décimo segundo dia de abril é o prazo final para a aprovação do Acordo de Retirada pela Câmara dos Comuns”, disse Juncker ao Parlamento Europeu. “Se isso não for feito até lá, então nenhum breve adiamento será possível.”
Já se o acordo que May fechou com a UE em novembro de 2018 – e que já foi rejeitado três vezes – for aprovado em uma quarta votação, ainda não marcada, o Brexit acontece em 22 de maio.
Também nesta quarta-feira, o governo tentou aprovar uma emenda que garantiria à May o poder de negociar uma extensão sem precisar da autorização prévia do Parlamento. Foram 400 votos contra e 220 a favor.
A diferença de 180 votos representou a segunda maior derrota que um governo sofreu em uma votação na história moderna, perdendo apenas para a primeira derrota do acordo de May, em 15 de janeiro – naquele dia o placar foi de 432 a 202, uma diferença de 202 votos.
Outra emenda a sofrer uma significativa derrota foi proposta pela parlamentar Anne Main, do Partido Conservador, que estabelecia o dia 22 de maio como limite para qualquer proposta de extensão. Foram 488 votos contra e 123 a favor.
Sem acordo
Esta não foi a primeira vez que o Parlamento votou contra um Brexit sem acordo. Em 13 de março, quando o prazo para a saída ainda era 29 de março – antes de a UE conceder um adiamento – os parlamentares aprovaram, por 312 a 308 votos, uma emenda da parlamentar Caroline Spelman, que rejeitava a possibilidade de um Brexit sem acordo “a qualquer momento e sob qualquer circunstância”.
