Após a intervenção no Rio de Janeiro, a cúpula do Democratas dá como certa a candidatura do presidente Michel Temer (MDB) à reeleição, segundo a coluna Painel, do jornal “Folha de S. Paulo”.
De acordo com a publicação, os integrantes da sigla avaliam que, ao se apropriar da pauta da segurança, Temer abraçou parte importante do discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Na segunda-feira (19), a Câmara aprovou o decreto que autoriza a intervenção federal.
A disposição de Michel Temer em discutir sua reeleição asfixiou os planos do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) para disputar a sucessão presidencial em outubro. O chefe da equipe econômica de Temer abriu negociações para se lançar ao Palácio do Planalto pelo MDB como nome do governo, mas a sombra de uma possível candidatura do presidente ameaça interditar esse caminho.
Sem apoio de seu partido, o PSD, Meirelles poderia se filiar à sigla de Temer, mas viu seus prazos se estreitarem — ele precisa deixar o cargo até abril se quiser concorrer às eleições — quando o presidente se convenceu de que não tem nada a perder caso seja ele próprio o candidato que defenderá o legado de seu governo até outubro.
Se há dois meses o ministro discutia mencionar ou não Temer no programa de sua legenda na TV — e acabou por não fazê-lo por medo de ser ainda mais contaminado pela impopularidade do presidente —, hoje Meirelles tem no apoio do Planalto a única alternativa para tentar fazer deslanchar sua candidatura.
O ministro e o presidente patinam nas pesquisas, ambos com entre 1% e 2% das intenções de voto segundo o Datafolha, e viram naufragar o discurso de que a melhora dos índices econômicos seria sentida pela população a partir do início deste ano.
Em um primeiro momento, Temer acreditava que esses números poderiam impulsionar sua popularidade a pelo menos dois dígitos, enquanto Meirelles apostava neles para melhorar seu desempenho nas pesquisas para a sucessão presidencial.
Mesmo sem os resultados — o ministro já fala em percepção da melhora na economia somente no fim do ano —, Temer e seus principais auxiliares entoaram o discurso de que o prazo para decidir o rumo do Planalto nas eleições é maio, o que inviabilizaria o cronograma de Meirelles.
Aliados do presidente, porém, afirmam que seu desejo é apenas “se redimir” de um governo tão impopular — 70% das pessoas consideram sua gestão ruim ou péssima, segundo o Datafolha —, mas que seus anseios eleitorais não devem chegar até maio.
Ainda de acordo com esses assessores, o presidente busca uma saída diante do medo de ficar isolado no processo, visto que o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin (SP), mantém distância segura de Temer desde que os tucanos entregaram os cargos no primeiro escalão do governo.
O próprio Meirelles conversou com o presidente sobre os prazos e indicou que colocar o mês de maio como limite para a decisão pode ser tardio “para quem quer que seja o candidato do governo”. O ministro teme que, em três meses, as articulações para as alianças estaduais no MDB já estejam muito avançadas e possam prejudicar novos acordos que mirem a chapa presidencial.
