De um modo geral, os preços da gasolina e do etanol nos postos de combustíveis do País baixaram na semana passada. É o que apontam os dados divulgados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Enquanto o do etanol recuou 0,94% para R$ 2,621, o preço médio do litro da gasolina caiu 0,24%, para R$ 4,429. Já o preço médio do litro do diesel ficou inalterado em R$ 3,371.
Essa foi a quinta queda consecutiva no valor da gasolina e a décima-primeira no valor do etanol. O preço médio do botijão de gás, por sua vez, permaneceu praticamente estável, de R$ 68,21 para R$ 68,19, o que representa uma leve queda de 0,02%.
O valor representa uma média calculada pela ANP com os dados coletados nos postos de combustíveis. E, portanto, os preços podem variar de acordo com a região analisada.
Na mesma semana, a Petrobras elevou os preços da gasolina em 4,89%, seguindo a sua política de preços que reajusta os valores quase diariamente. O objetivo é acompanhar as cotações internacionais.
Os reajustes são influenciados por fatores como o câmbio e a cotação do petróleo. Nesta semana, o dólar acumulou alta de 4,86%. O repasse ou não do reajuste da Petrobras para o consumidor final depende dos postos.
Já o valor do diesel nas refinarias permanece congelado, seguindo acordo feito pelo governo e os caminhoneiros para encerrar a greve da categoria, no final de maio. A previsão era de que o valor do diesel nas bombas seria reduzido em R$ 0,46.
Desde a véspera da greve até agora, de acordo com o levantamento da ANP, o desconto do preço médio foi de R$ 0,22.
Acumulado do ano
Em 2018, o preço da gasolina acumula aumento de 8,05%. O avanço é bem maior do que a inflação de 2,94% acumulada até julho, considerando-se o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Esse aumento também é maior do que a inflação esperada para o ano todo, de 4,15%, tendo por base o mais recente boletim Focus do BC (Banco Central).
Já o preço do diesel acumula uma elevação de 1,35% desde janeiro deste ano, enquanto o do etanol caiu 9,99%, também considerando-se o preço médio calculado pela ANP.
Alta do dólar
A alta do dólar comercial para R$ 4,12 deve levar a Petrobras a subir os preços dos combustíveis em breve, avaliam especialistas. Segundo a empresa de consultoria Rosenberg Associados, os preços internacionais da gasolina em reais estão quase 11% mais altos neste mês.
Essa disparada da taxa de câmbio foi o principal motivo para o avanço observado no preço da gasolina no exterior (quando medido em reais por litro), o que influencia os ajustes da Petrobras no mercado local.
O real se desvalorizou 3,72% na última semana, acumulando queda de 10,1% em relação ao mês anterior. Desta forma, o preço internacional do combustível (Costa do Golfo) apresenta alta de 10,9% na comparação mensal. A alta dos combustíveis é um dos efeitos da subida do dólar que pode puxar a inflação e mexer com os juros.
Com isso, a defasagem entre o preço nacional e internacional da gasolina aumentou consideravelmente no último mês, com o preço internacional permanecendo acima do cobrado no Brasil, o que poderá levar a Petrobras a conceder mais reajustes para cima no preço de venda às distribuidoras nas próximas semanas, prevê a Rosenberg.
A defasagem entre o preço nacional e internacional do diesel, considerando os preços de revenda do combustível no País, zerou nesse último mês, com o preço internacional superando o cobrado no Brasil. Após a greve dos caminhoneiros, o governo passou a subsidiar o preço de venda do diesel às distribuidoras. Assim, o reajuste, que era diário, assim como feito com a gasolina, agora ocorre a cada 30 dias.
