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O presidenciável Ciro Gomes comparou Jair Bolsonaro a “um projetinho de Hitler tropical”

Candidato do PDT afirmou que o adversário do PSL é desqualificado. (Foto: Divulgação/PDT)

Em uma mudança de postura, nessa quarta-feira o candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, adotou discurso duro contra o adversário do PSL, Jair Bolsonaro. Ele comparou o deputado e ex-militar ao ditador alemão Adolf Hitler (1889-1945) e disse que o concorrente não tem capacidade para administrar o País:

“Bolsonaro faz uma simplificação grosseira ao criminalizar movimentos sociais e fala uma imensa baboseira ao se referir aos homossexuais. Ele é um mistificador, perigoso, fascista. É um projetinho de Hilter tropical e muito mal preparado!”.

“O cara que vota no Bolsonaro está querendo que o Brasil morra, que a minha nação seja destruída. Não quero saber disso para mim, isso é inimigo da pátria”, continuou. As críticas efusivas contrapõem postura moderada adotada nas últimas semanas por Ciro, na tentativa de atrair eleitores indecisos e desconstruir fama de que é explosivo.

De acordo com a mais recente pesquisa do instituto Datafolha, em um cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro aparece em primeiro, com 22% das intenções de voto, liderando nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Ciro disse ainda que respeita todos os eleitores do país, mas não quer o voto de uma fração de apoiadores do adversário que, segundo ele, “vivem com uma pedra no coração”:

“São egoístas e estão pouco se lixando com desempregados e com mulheres que foram estupradas.Quantos desses estupros ocorreram porque o cara está escorado em um candidato popular?”.

Economia

Ciro afirmou que o fim dos subsídios agrícolas, sugerido pelo economista Paulo Guedes, vai acabar com o setor do agronegócio em 12 meses e que o Bolsonaro estimula estigmas contra setores da sociedade.

Ele citou, por exemplo, a crítica feita pelo adversário de que o conteúdo contra a homofobia ensinado nas escolas brasileiras pode levar os meninos a brincarem de boneca.

“Isso é uma grande baboseira, uma imensa baboseira que vai predispondo o estigma contra pessoas que, só por uma orientação sexual diferente, amam diferente do tradicional. O que nós temos com isso?”, questionou.

O pedetista afirmou, ainda, que brincaria normalmente de boneca com seu filho caçula Gael, de dois anos, uma vez que, segundo ele, nenhuma criança vai afirmar a sua orientação sexual por causa de um brinquedo.

“Tenho um filho de 2 anos e, se ele ficar brincando com a boneca, eu brinco junto. Qual é o problema? Ou alguém acha que alguém vai afirmar a sua orientação sexual por causa de um brinquedo? Isso é de uma ignorância estapafúrdia”, disse.

O candidato participou de encontro promovido, em Brasília, pela Andife (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior).

Para não causar um mal-estar com sua candidata a vice-presidente, Kátia Abreu, Ciro não compareceu durante a manhã a sabatina promovida pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

Ele disse que tem um compromisso com o setor do agronegócio, mas que não foi ao debate porque não quer conviver com a atual diretoria da entidade agrícola. “Ela representa uma coisa muito atrasada, muito fascista, muito anti-povo, muito anti-Brasil. E eu represento o oposto”, disse.

Kátia comandou a entidade ruralista por três mandatos, mas deixou o posto sob críticas de dirigentes do setor por ter apoiado a então presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment que a retirou do segundo mandato, em 2016.

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