O candidato ao Palácio do Planalto pelo MDB, Henrique Meirelles, negou que a sua campanha esteja “escondendo” a participação dele no governo de Michel Temer, como ministro da Fazenda. Esse comentário foi feito durante entrevista à imprensa, quando um repórter questionou porque o nome do atual presidente da República nunca é citado nas atuais aparições de Meirelles.
Tal postura é diferente, por exemplo, de quando ele comenta a época em que comandou o BC (Banco Central), durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010): nesse caso, o líder petista (líder nas pesquisas de intenções de voto em que o seu nome é mencionado como candidato) é sempre lembrado.
“O meu cargo na Fazenda é algo totalmente conhecido”, argumentou. Confrontando por jornalistas, entretanto, ele se confundiu: “E eu sai do ministério da Fazenda faz dois anos… desculpe… dois meses! É que a campanha está tão intensa que parecem dois anos”, sorriu. “A maioria nem sabe que eu fui o responsável no País pelo crescimento, naquele período.”
Meirelles (que deixou o BC em 2010) sorriu ao ser questionado sobre a declaração de Temer de que o ex-governador e também presidenciável Geraldo Alckmin, do PSDB, seria o candidato do governo federal, mas negou estar se aproveitando da situação para se afastar da impopularidade do atual comendante do Planalto.
“Eu estou apenas achando engraçada essa história”, disse. “De vez em quando, alguém me questiona sobre o problema de ser o candidato do governo e depois me questionam sobre o candidato do governo ser o Alckmin. Eu acho que cada um tem que apresentar a sua própria história.”
Coligação tucana
O candidato do MDB afirmou, ainda, que o processo de formação da coligação do tucano Geraldo Alckmin está errado e que seu partido vai continuar com esse tipo de pergunta. “É meramente um questionamento, na medida em que uma série de formalidades não foram cumpridas. Eu acho que é muito importante que no Brasil, cada vez mais, todos cumpram a lei”, defendeu.
Algumas siglas aliadas do tucano teriam aprovado em suas convenções apenas a aliança com o PSDB, quando deveriam ter colocado na ata todas as nove siglas que apoiam Alckmin. O prazo para mudanças na ata das convenções se encerrou. Portanto, não há mais como fazer adendos. Se o TSE aceitar a exclusão dos partidos, Alckmin terá diminuído seu tempo na TV.
“Se a lei demanda uma série de formalidades, que a convenção aprove a aliança, que isso seja registrado em ata… é algo fundamental no Brasil hoje. Cada vez mais o Brasil está demandando que todos cumpram a lei. Fazer as coisas na esculhambação, isso aí não tem mostrado ser a solução para o País”, prosseguiu, criticando Alckmin.
Meirelles disse que a decisão final é da Justiça e se ela julgar que não é errado, o MDB vai respeitar. “Agora, acreditamos, sim, que está errado e que não se deve proceder dessa maneira. Tem que seguir a lei”, disse a jornalistas na saída do evento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base) em São Paulo.
