Líder nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava-Jato, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) terá de ajustar seu discurso para conquistar mais evangélicos, disse o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer e organizador da Marcha Para Jesus em São Paulo.
“Alguns posicionamentos dele podem fazer com que realmente ganhe a simpatia dos evangélicos. Agora, existem outros que são antagônicos com os valores cristãos, como a força, talvez o ódio, algumas coisas mais extremistas”, disse Hernandes. Ainda assim, o líder acredita que atualmente o parlamentar carioca atrai boa parte do eleitorado cristão.
Ainda segundo o apóstolo, nenhum dos presidenciáveis que se apresentou na disputa atende integralmente ao desejo dos evangélicos, em defesa de valores familiares e sociais.
Nesta quinta-feira (31), Bolsonaro subiu ao palco do evento, além de Flávio Rocha (PRB), também pré-candidato ao Planalto, e João Doria (PSDB), pré-candidato ao governo de São Paulo, que participaram da marcha na largada. De acordo com o apóstolo, o evento é aberto a todos os políticos e a instituição não se posiciona favorável a nenhum deles.
Sobre o governo do presidente Michel Temer, Hernandes avalia que o emedebista terminará o mandato desgastado. “É um quadro muito difícil para ele e a gente sabe que a sustentação política vai ser eliminada constantemente.”
Após o apóstolo Hernandes ter dito que o Bolsonaro precisava ajustar seu discurso por causa de referências ao “ódio”, o parlamentar afirmou que também é contra o ódio.
“Nós também somos contra. Aqui é lugar de perdão, é de entendimento, de amor ao próximo, não é lugar para atacar ninguém”, disse o pré-candidato ao Planalto, ao chegar à Marcha para Jesus, em São Paulo, organizada por Hernandes, líder da igreja Renascer, nesta quinta-feira.
Bolsonaro chegou acompanhado do senador Magno Malta (PR-ES), cotado para ser vice na chapa do presidenciável do PSL. “Ele é meu chefe”, disse Bolsonaro a jornalistas, apontando para Malta. Os dois se recusaram a falar sobre eleições e Bolsonaro limitou-se a sorrir diante de uma pergunta sobre a possibilidade de Malta ser seu vice. Já o senador disse que estava ali para “marchar para Jesus.”
Bolsonaro chegou ao local do evento cerca de cinco minutos após o governador de São Paulo, Márcio França (PSB).
