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O presidente da Argentina, que é candidato à reeleição, aumenta o valor da bolsa família em 46%

Presidente da Argentina, Mauricio Macri, acena diramte seu discurso anual ao Congresso em 2019. (Foto: Reprodução)

Enquanto vê sua popularidade em queda na Argentina , o presidente Mauricio Macri anunciou um aumento de 46% na ajuda financeira para as famílias pobres, que funciona como uma espécie de “bolsa família” argentina. O chefe da Casa Rosada se prepara para concorrer a um segundo mandato nas eleições presidenciais de outubro, enquanto o seu país sofre com uma inflação anual de 50% e uma economia em recessão.

No seu discurso anual ao Congresso, Macri, no poder desde 2015, disse que continuará seu programa de reformas que favoreçam investimentos, apesar de ser muito criticado por legisladores de oposição, que defendem um maior papel do Estado na terceira maior economia da América Latina.

Entretanto, afirmou que ainda deverá haver espaço para aumentos direcionados das despesas públicas com gastos sociais. A pobreza na Argentina cresceu com a crise econômica, tendo atingido 33% no terceiro semestre do ano passado, segundo o Observatório da Dívida Social da Argentina. No mesmo período de 2015, os últimos meses do governo de Cristina Kirchner, o índice era de 29,2%.

O país também sofre com o fechamento de fábricas e negócios, que levou à demissão de quase 200 mil trabalhadores em 2017, de acordo com dados oficiais. Só em dezembro, a queda do Produto Interno Bruto foi de 7%. O poder de compra caiu em 18% no ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos da República Argentina (Indec).

“Hoje a Argentina está melhor do que em 2015. Saímos do pântano no qual estávamos”, disse o presidente. “Infelizmente, as crianças são as mais atingidas pela pobreza. É por isso que decidimos aumentar em 46% os subsídios por criança para os pobres, a partir deste mês.”

O benefício mencionado por Macri consiste no pagamento mensal de valores entre 1.816 e 7.695 pesos argentinos (R$ 173,60 e R$735,75) pelo governo para cada filho menor de 18 anos, até no máximo cinco crianças ou adolescentes, de famílias pobres. Ou seja, que tenham pessoas desempregadas, trabalhadores informais com renda igual ou menor ao salário mínimo e trabalhadores domésticos, entre outros.

O argumento de Macri em defesa de seu governo é o fiel cumprimento das metas monetárias acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber um aporte financeiro de US$ 57 bilhões entre 2018 e 2021. Em troca, o governo foi obrigado a cortar despesas.

Apesar do cenário desanimador para a economia, o presidente expressou esperança de redução da inflação em 2019, com apostas de crescimento em setores como turismo e energia, além de se apoiar nas exportações de soja, óleos e milho. Também criticou o que chamou de “clientelismo” e “uso político dos pobres” na política.

“Neste ano esperamos uma baixa substancial da inflação, para que seja um alívio a todos. Mas não se é pobre apenas pelo que se ganha no fim do mês. Esta é só uma das dimensões da pobreza. O núcleo duro da pobreza estrutural tem a ver com a dignidade perdida”, afirmou.  “Fomos à raiz do problema, que só começa a diminuir quando terminam o clientelismo e o uso político dos pobres, com o degradante costume de pedir-lhes que protestem ou votem em troca de um favor.”

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