O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cancelou nesta quinta-feira (23), pelo segundo dia seguido, a entrevista que costuma dar à imprensa antes da sessão de plenário.
Essas entrevistas se tornaram rotina desde o início das medidas de isolamento social de combate ao coronavírus, quando ele falava sobre as votações e quase sempre tecia críticas às ações do governo durante a pandemia.
Além disso, o presidente da Câmara cancelou a participação em duas “lives” que faria na segunda-feira (20) e não apareceu em nenhum programa de televisão nesta semana.
Até então, a estratégia de Maia estava sendo uma “superexposição” na mídia, onde aparecia confrontando posições do governo.
Essa exposição toda mudou com o embate em torno do pacote de auxílio aos Estados e municípios, que perderam arrecadação, e a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com os partidos do “Centrão” da Câmara, que negociam trocar cargos pelo apoio ao governo. Bolsonaro elegeu Maia como seu alvo principal, o acusou de conspirar e direcionou a artilharia de seus apoiadores nas redes sociais ao presidente da Câmara.
Maia foi aconselhado por aliados dentro do Centrão a evitar aparecer tanto como adversário do governo e frear as declarações polêmicas.
Além da menor exposição, também adotou uma pauta mais consensual e sem embates com o governo para votar esta semana.
Supremo
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, decidiu nesta quinta fixar um prazo de 10 dias para que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apresente informações sobre um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro que não foi apreciado até hoje. Maia é acusado por dois advogados, autores da ação, de ser omisso na análise do tema. O Palácio do Planalto acompanha com preocupação o andamento do caso na Suprema Corte.
Integrantes do STF ouvidos reservadamente avaliam que pedidos dessa natureza costumam ser arquivados de prontidão pelos relatores, já que cabe à Câmara decidir sobre afastamento de presidente. Apontam que, ao pedir informações a Maia e incluir formalmente Bolsonaro no processo, Celso de Mello deu sinais de que deve dar prosseguimento à ação, cujo desfecho pode ser imprevisível.
A expectativa é a de que o decano utilize o caso para mandar duros recados ao Planalto, após Bolsonaro ter participado de ato antidemocrático no último domingo (19) convocado contra o STF e o Congresso. Para um ministro, o caso pode servir até mesmo para pavimentar eventualmente o impeachment do presidente da República.
