O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, terá uma reunião na próxima terça-feira com o presidente Jair Bolsonaro e ministros para falar sobre a política de preços da companhia. Na quinta-feira, o presidente pediu para a estatal suspender o reajuste de 5,7% do diesel. A decisão pegou de surpresa Roberto Castello Branco, que estava a caminho do aeroporto para o exterior. Castello Branco está em Chicago, onde participa do evento Emerging Market Summit e de encontros com investidores em Nova York. Com a polêmica, Castello Branco decidiu antecipar sua volta ao Brasil.
“A ideia é esclarecer o tema ao presidente e evitar que novos episódios de intervenção nos preços se repitam”, disse uma fonte.
Além de Castello Branco, grande parte da equipe econômica está no exterior. O ministro da Economia, Paulo Guedes, está em Washington para a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial. Após questionamento feito pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Petrobras disse ao órgão regulador do mercado de capitais que adiou o reajuste a pedido da União para evitar uma possível greve dos caminhoneiros.
Em comunicado, a estatal disse que diante “das ameaças de início de uma nova paralisação (dos caminhoneiros), a União alertou para o possível agravamento da situação e solicitou esclarecimentos à Petrobras sobre o reajuste proposto”.
De surpresa
A decisão de suspender o reajuste do diesel foi tomada na quinta-feira à noite pouco antes de o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, embarcar para o exterior. O executivo foi informado que teria de adiar o aumento pelo presidente Jair Bolsonaro quando estava a caminho do aeroporto.
Castello Branco participou da reunião da diretoria executiva da companhia. A decisão do presidente ocorreu logo após e envolveu o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, destacou uma das fontes. O vice-presidente Hamilton Mourão, confirmou a interferência de Bolsonaro.
Logo após a decisão, Castello Branco embarcou para os Estados Unidos.
Com o impasse, as ações da companhia caíram 8% na Bolsa de Valores de São Paulo na sexta-feira. De acordo com uma fonte, o presidente da Petrobras não pensa em renunciar ao cargo. Segundo Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura), foi um erro o governo ter cancelado o aumento do diesel no País.
“Foi tudo atabalhoado. O governo tem três meses e já está se ajoelhando para os caminhoneiros. E isso pode dar margem para outros setores. Aparentemente, o governo está refém dos caminhoneiros. Espero que esse episódio tenha sido algo isolado. É algo diferente do período da presidente Dilma Rousseff, quando o foco do controle estava nos preços da gasolina e botijão de gás por conta da inflação”, afirmou Pires.
