O crescimento da economia brasileira deve ficar entre 3% e 4% em 2018, afirmou nessa terça-feira o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro. Segundo ele, a instituição de fomento contribuirá com a retomada da economia ao elevar em cerca de um terço os seus desembolsos no ano que vem, que devem chegar a 100 bilhões de reais.
Rabello afirmou que o banco espera liberar cerca de 2 bilhões de reais por mês em 2018 apenas na linha “BNDES Giro”, que financia o capital-de-giro de pequenas e médias empresas, com um prazo de até cinco anos e uma carência de até 24 meses.
“Quase 90% das micro e pequenas empresas aplicantes têm cadastro bom”, comentou o presidente do BNDES, ao palestrar em um evento da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), em São Paulo.
De acordo com ele, a instituição também planeja migrar o Canal do Desenvolvedor, ferramenta que facilita o acesso de micro e pequenas empresas a linhas de crédito da estatal por meio de bancos credenciados, para uma plataforma mais ampla.
Rabello ressaltou, contudo, que a retomada do crédito à pessoa jurídica pode esbarrar na fragilidade da indústria brasileira diante de uma excessiva carga tributária. “Os problemas brasileiros, embora graves, estão muito bem mapeados”, garantiu.
Na avaliação do dirigente, o “manicômio tributário e juros excessivamente altos” podem condenar ao fracasso a retomada da economia a longo prazo: “Temos que transformar o capitalismo brasileiro bom para poucos em um capitalismo que traga prosperidade a todos os cidadãos do País”.
Meirelles
No início de outubro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, havia feito a mesma projeção de 4%, tendo por base o PIB (Produto Interno Bruto), porém com uma diferença: em vez de um ano, ele estipulou um prazo de quatro anos, desde que as reformas propostas pelo governo sejam aprovadas.
Meirelles citou como exemplo reformas macroeconômicas, entre as quais a tributária e a da Previdência. “Algumas delas já foram aprovadas, como, por exemplo, a taxa de longo prazo para o BNDES”, destacou o titular da pasta. Ele disse que seria viável atingir esse patamar em um horizonte de tempo de “três ou quatro anos”.
Questionado sobre os impactos de curto prazo da reforma da Previdência, ele afirmou que há efeitos positivos, como o aumento do nível de confiança, da força e da estabilidade dos índices econômicos do país, além da expansão do volume de investimentos. Meirelles ressaltou, ainda, que a aprovação da reforma é do interesse das diversas facções políticas, “inclusive porque, se não for aprovada agora, isso terá que ocorrer no próximo governo, o que é ruim para quem assume”.
Para o ministro, caso a reforma não seja aprovada, haverá outro impacto, que deve ser levado em consideração por causa do teto dos gastos. “Se não houver aprovação das medidas necessárias e se, em algum momento, o Orçamento e as despesas públicas violarem a regra do teto, os mecanismos são autocorretivos. Existe, então, o corte de novas isenções, subsídios, paralisação de qualquer aumento de contratação ou de salários”.
