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O presidente dos Estados Unidos diz que é hora de reduzir tensão após aplicar sanções contra a Rússia

Presidente americano afirmou que Facebook e outras mídias sociais estão "matando pessoas" ao permitir a disseminação de fake news sobre a imunização. (Foto: Lawrence Jackson/Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, nesta quinta-feira (15) que “chegou a hora da desescalada”, depois que Washington anunciou novas sanções contra Moscou.

Os Estados Unidos anunciaram uma série de sanções contra a Rússia em represália ao que considera “ações internacionais desestabilizadoras”, inclusive acusações de que Moscou interferiu nas eleições presidenciais americanas de 2020, assim como em 2016, com campanhas de desinformação digital.

O presidente americano considerou que uma comunicação direta com Putin poderia estabelecer uma “relação mais efetiva” e afirmou que o líder russo concordava com esta tese.

Biden afirmou que a cúpula proposta a Putin pode ocorrer no verão boreal na Europa e seria uma oportunidade para “lançar um diálogo de estabilidade estratégica”.

Putin ainda não respondeu, mas o presidente disse que as equipes estão discutindo “agora mesmo” esta possibilidade.

Ucrânia

A crise na fronteira da Rússia com a Ucrânia levou, na terça-feira (13), Biden a telefonar para Putin, para tentar reduzir a tensão na região. O americano propôs uma cúpula entre os dois no futuro próximo, em um terceiro país, além de expressar apoio aos ucranianos.

A conversa foi revelada pela Casa Branca, em comunicado, e virou uma peça de propaganda dos dois lados. Moscou disse que o telefonema foi realizado a pedido dos EUA, dando a impressão de que Biden estaria pedindo um favor aos russos.

Horas antes, o Kremlin exigiu que o governo americano ficasse longe do Mar Negro – uma referência aos destróieres USS Donald Cook e USS Roosevelt, que foram enviados de uma base da Espanha e chegaram na quarta (14) à região. Serguei Ryabkov, vice-chanceler russo, disse que a movimentação naval era uma “provocação” feita para “testar os nervos” da Rússia. “Não há nenhuma razão para navios americanos estarem em nosso litoral”, disse.

Nas últimas semanas, Putin mobilizou 83 mil soldados na fronteira da Ucrânia, segundo serviços de inteligência ocidentais, criando o primeiro grande desafio de política externa de Biden, justamente contra um dos mais experientes atores internacionais, Putin, um rival histórico dos EUA.

Embora Putin não tenha dado nenhuma razão para a mobilização de tropas na fronteira com a Ucrânia, analistas acreditam que a medida possa ser uma resposta às declarações recentes de Biden, que chamou Putin de “assassino”, endurecendo a política americana com a Rússia.

Na terça, o chanceler da Ucrânia, Dmitro Kuleba, se reuniu em Bruxelas com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenburg. O ucraniano obteve de ambos o apoio “inequívoco” da aliança militar contra qualquer agressão da Rússia.

Segundo a Casa Branca, durante a conversa com Putin, a segunda entre os dois presidentes desde a posse de Biden, em janeiro, o americano expressou preocupação com o aumento do contingente militar russo na fronteira. Já o Kremlin disse os dois líderes se mostraram “dispostos ao diálogo”, mas não esclareceu se Putin tinha aceitado a proposta.

A crise na Ucrânia começou em fevereiro de 2014, após protestos populares destituírem o governo do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, um conhecido aliado de Putin que vinha tentando afastar a Ucrânia da União Europeia e da Otan. Yanukovich fugiu para Moscou e a oposição assumiu o governo em Kiev.

A resposta de Putin foi violenta. Um mês depois da fuga de seu aliado, forças russas anexaram a Península da Crimeia, onde fica a base naval e o Porto de Sebastopol, considerado uma das principais saídas marítimas da Rússia. Em seguida, milicianos comandados por Moscou se rebelaram no Leste da Ucrânia, iniciando uma guerra civil nas regiões de Donetsk e Luhansk.

Em comum, Crimeia, Donetsk e Luhansk são regiões ucranianas onde existe um grande contingente de cidadãos de origem russa, o que teria servido para justificar a ação, sob o ponto de vista de Putin. Foram os rebeldes pró-Rússia, lutando no Leste da Ucrânia, que abateram por acidente o Boeing 777 da Malaysia Airlines, que ia de Amsterdã (Holanda) para Kuala Lumpur (Malásia), em março de 2014 – 298 pessoas morreram.

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