A Casa Branca anunciou no domingo (11) um plano para reforçar a segurança nas escolas dos Estados Unidos que prevê treinamento para armar professores e uma reforma do sistema de fiscalização de antecedentes penais na hora da compra de armamento. A informação é da Agência EFE.
O projeto determina a criação de uma comissão federal para analisar as soluções encontradas pela secretária de Educação, Betsy DeVos, para impedir novos tiroteios nas escolas americanas.
Apesar de Trump ter expressado o desejo de aumentar a idade necessária para comprar alguns tipos de armas, como rifles, de 18 para 21 anos, o plano não contempla a proposta. No projeto, a Casa Branca se limita a dizer que estudará a questão.
“Hoje estamos anunciando ações significativas, passos que podem ser dados agora mesmo para proteger os estudantes”, disse DeVos, em entrevista coletiva para dar detalhes do plano.
Para a secretária de Educação, o projeto é “pragmático”.
A proposta de Trump determina que o Departamento de Justiça auxilie os estados e as autoridades locais a “oferecer um rigoroso treinamento de armas para voluntários das escolas qualificadas”.
Não há, no entanto, uma previsão de custo do projeto.
Além disso, a Casa Branca manifestou respaldo à proposta do republicano John Cornyn e do democrata Chris Murphy, que busca dar às autoridades locais e federais mais incentivos para reportar informações relevantes ao Sistema Nacional de Verificação de Antecedentes Criminais.
Essas medidas foram divulgadas após o massacre ocorrido em uma escola de Parkland, na Flórida. Nikolas Cruz, de 18 anos, invadiu o local e matou 17 pessoas.
Antecedentes
Pouco depois de 20 crianças de seis e sete anos terem sido mortas a tiro na escola primária de Sandy Hook, em Dezembro de 2012, o norte-americano Dean Rieck pensou se não seria boa ideia pôr armas nas mãos dos professores e treiná-los para travarem as frequentes ameaças nas escolas norte-americanas. “As pessoas diziam que a nossa proposta era de loucos”, disse Rieck ao New York Times recentemente, com o assunto voltando à baila. Cinco anos mais tarde, essa ideia não só deixou de ser louca como entrou em força no debate sobre as armas, tendo como porta-voz o próprio Presidente dos Estados Unidos e o apoio total da poderosa NRA (National Rifle Association).
Em fevereiro deste ano Donald Trump afirmou que não havia apelado para a entrega de armas aos professores, durante uma conversa na Casa Branca com familiares de vítimas de tiroteios, mas a correção era mais um preciosismo do que outra coisa: nessa conversa, o Presidente defendeu a entrega de armas a professores “com experiência no uso de armas, com treino militar ou especial”.
E é isso mesmo que a organização Buckeye Firearms, fundada pelo norte-americano Dean Rieck após o tiroteio em Sandy Hook, faz desde 2013 – numa nota publicada recentemente, o grupo diz que já treinou “mais de 1300 professores e funcionários, incluindo educadores, em 76 dos 88 condados do Ohio”. Em Setembro do ano passado, a filial da CBS no Maryland noticiou a presença de professores desse estado “entre mil educadores de 12 estados num curso de três dias no Ohio”, organizado pelo grupo fundado por Dean Rieck.
