O feriadão do Dia da Independência no Rio promete sol e um movimento em pontos turísticos e hotéis que não era visto desde março, quando teve início a pandemia da Covid-19 e entraram em vigor as medidas de distanciamento social. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-RJ) espera bater uma taxa de ocupação de 50% — na sexta-feira (4), o percentual estava em 46%, como informou o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo (em tempos normais, poderia chegar a 80%). A entidade se surpreendeu com a procura de turistas brasileiros e do próprio estado, que sinaliza uma retomada. Os ícones da cidade também se preparam para receber mais visitantes: o Trem do Corcovado, que tem transportado de 900 a mil pessoas por dia, espera uma média de 3 mil entre este sábado (5) e segunda-feira (7).
Pelo plano de flexibilização da prefeitura, os pontos turísticos só podem operar com capacidade máxima de 50%, desde que respeitados os quatro metros quadrados por pessoa. Este será o primeiro fim de semana com autorização de abertura para centros culturais (o Museu do Amanhã é um que volta a receber público), além de o primeiro feriado prolongado na cidade com a rede hoteleira funcionando. O Fairmont, hotel de luxo em Copacabana, retomou as atividades na sexta, abrindo 120 dos seus 400 quartos. Todos estão reservados até esta segunda-feira (7).
“Inicialmente abriríamos com 80 quartos, mas subimos o total com a chegada de mais pedidos. Vamos recomeçar aos poucos, para evitar uma experiência ruim e testar os protocolos”, comenta o CEO da Accor na América do Sul, Patrick Mendes, dizendo que os hotéis da rede (são 22 na capital) têm aberto com 50% da sua capacidade e estão com taxa de ocupação média de 40%. “O feriadão vai ser bom, mas a realidade do setor do turismo ainda é de movimento fraco. Vai demorar de seis a oito meses para chegarmos a um patamar aceitável”.
No Fairmont, que tem tarifa cheia a partir de R$ 1.250, a piscina com vista para o mar pode ser aproveitada pelos hóspedes, que encontrarão espreguiçadeiras com um metro e meio de distância uma da outra. No Copacabana Palace, outro cinco estrelas da Avenida Atlântica, a piscina também estará liberada para o refresco dos turistas, que poderão usar as espreguiçadeiras da varanda voltadas para a praia. O hotel está funcionando apenas com o prédio principal, e seus 145 quartos estão ocupados. A diária parte de mil reais.
“O hotel está com hóspedes vindos de todos os estados do Brasil. Só se fala português”, diz Andrea Natal, diretora geral, que tem um plano para esse “novo normal”: trocar as bandeiras dos países da decoração pelas dos estados.
Presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes afirma que a ocupação dos hotéis é melhor do que se esperava: “Daqui para frente, a tendência é melhorar. O feriadão será um termômetro”. A movimentação no Rio, no entanto, é vista com cautela pelo infectologista Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ.
“Há um aumento de casos (da Covid-19) preocupante. Espero que as pessoas tenham responsabilidade, que cumpram as medidas de distanciamento. Avançamos rápido demais na flexibilização, abrindo atividades não essenciais, como restaurantes, antes de essenciais, como escolas”, diz ele, que, no entanto, é a favor da abertura das praias, de segunda a sexta-feira.
A Secretaria estadual de Saúde registrou 232.489 casos confirmados e 16.467 óbitos por coronavírus. O município contabilizava 93.012 infectados e 9.853 mortes. A taxa de isolamento na cidade, segundo a empresa Cyberlabs, era na sexta-feira (4) de 46%.
