O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, fez um apelo nesta quinta-feira (21) para que os cidadãos do país realizem viagens nacionais no próximo verão europeu.
Em discurso na Câmara dos Deputados, o premiê lembrou que o setor representa 13% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e será submetido a uma “dura prova” por causa dos impactos da pandemia do novo coronavírus.
“Aproveito a ocasião para convidar todos os cidadãos a passarem as férias na Itália. Vamos descobrir as belezas que ainda não conhecemos e visitar aquelas que já conhecemos”, disse Conte, recebendo aplausos dos deputados governistas.
O governo já aprovou a concessão de créditos fiscais de até 500 euros para famílias que fizerem turismo interno em 2020, de forma a estimular um setor que já acumula prejuízo de 20 bilhões de euros devido à pandemia de coronavírus, segundo a Coldiretti (Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos da Itália). A alta temporada no país ocorre entre julho e agosto.
No mesmo pronunciamento, Conte também prometeu apresentar um decreto-lei (equivalente a uma medida provisória) que promova uma “rápida simplificação burocrática”, inclusive com medidas para agilizar obras de infraestrutura.
“O decreto de simplificação é a mãe de todas as reformas, é o momento da reviravolta”, acrescentou o primeiro-ministro, reforçando que essa é a única maneira de aumentar a competitividade do país.
Indenização
A província de Belluno, que fica na região do Veneto, entrou com um processo contra o Ministério da Saúde da China para pedir uma indenização pelos danos provocados pela pandemia do novo coronavírus no setor turístico da cadeia montanhosa das Dolomitas, nos Alpes italianos.
A audiência foi agendada para o próximo dia 21 de dezembro de 2020, no Tribunal de Belluno.
No documento, o governo chinês é acusado de “não ter comunicado imediatamente à OMS (Organização Mundial da Saúde) o estado da propagação do vírus e seus sérios efeitos letais entre novembro e dezembro de 2019”, além de “não ter tomado as medidas de controle necessárias nos aeroportos que partem da China”.
No processo, a região pede o ressarcimento pela “perda de ganhos devido ao fechamento antecipado de todas as estruturas do setor turístico, no auge da temporada de esqui no inverno”, quando as estruturas estavam “totalmente lotadas”.
A China é o país onde o novo coronavírus apareceu pela primeira vez no fim do ano passado. Até o momento, a pandemia aparentemente está controlada. Segundo a Universidade Johns Hopkins, o território chinês tem 84.063 casos confirmados da doença e 4.638 mortos.
Casos ativos
A Itália contabiliza 60.960 casos ativos do novo coronavírus (Sars-CoV-2), número que exclui as pessoas curadas e as mortes, informou a Defesa Civil nesta quinta. O dado é o menor desde 25 de março, quando existiam 57.521 registros, e representa, em números totais, uma redução de 1.792 pessoas na comparação com as informações de quarta (20).
Daqueles que lutam contra a doença, 640 estão em unidades de terapia intensiva (36 a menos do que ontem), 9.269 estão internados em hospitais ou centros médicos e 51.051 estão fazendo o isolamento obrigatório em suas residências. O total de curados da covid-19 teve uma elevação de 2.278 pessoas, chegando as 134.560 curas. O dado é um pouco menor do que o informado pela Defesa Civil na quarta-feira, quando 2.881 receberam alta médica.
O número de vítimas apresentou uma leve queda de 0,5% nas últimas 24 horas, com o registro de 156 mortes – elevando o total de óbitos para 32.486. Na quarta, haviam sido contabilizados 161 falecimentos.
Ao todo, 228.006 pessoas contraíram a covid-19 desde o início da pandemia na Itália, com uma alta de 642 novos casos em um dia. Apesar do governo ter anunciado um relaxamento das medidas de lockdown (bloqueio total) em 4 de maio, com uma ampliação os serviços liberados na última segunda (18), a pandemia do novo coronavírus está sob controle na Itália, com números se mantendo baixos em relação aos registrados em março e abril.
