A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mudar de estratégia e atrasar a ofensiva de recursos no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal). O objetivo é garantir a candidatura do petista ao Palácio do Planalto.
Os advogados resolveram pela mudança de tática depois da manifestação do Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) que na última sexta-feira pediu ao Brasil que não impeça Lula de concorrer, ao menos até que o caso transite em julgado (quando não existe mais possibilidade de recorrer contra a sentença).
O prazo para as contestações termina nesta quarta-feira. Depois, o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), abrirá um prazo de sete dias para que a defesa se manifeste. É justo neste período que o PT pretende intensificar o discurso de que a ONU defende a candidatura do ex-presidente.
A cúpula da legenda avalia que é preciso prolongar os prazos ao máximo possível, com o discurso de que Lula é candidato, para tentar garantir maior força na transferência de votos do ex-presidente para o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, hoje vice na chapa registrada no dia 15.
Exploração política
Em conversas reservadas, petistas admitem que dificilmente o Judiciário brasileiro vai acatar a recomendação do comitê da ONU, mas ressaltam que é essencial explorar o fato politicamente, inclusive para ampliar a campanha internacional a favor do líder da legenda.
O plano é fortalecer o discurso de que não é uma recomendação da ONU, mas uma liminar que deve ser cumprida pelo Brasil, já que o País se comprometeu com as regras da organização.
