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O Reino Unido planeja dar a terceira dose de vacina para proteger a população contra as variantes do coronavírus

Crianças maiores de 12 anos com problemas de saúde já podem receber a vacina no Reino Unido. (Foto: Reprodução)

No Reino Unido, o governo planeja aplicar, a partir de setembro, doses de reforço das vacinas contra o coronavírus para proteger a população contra novas variantes. Pessoas com 70 anos ou mais, profissionais de saúde e pacientes vulneráveis seriam os primeiros. Até agora, quase 30 milhões já receberam pelo menos a primeira dose da vacina, uma parcela que representa mais de 56% da população adulta.

Com os efeitos positivos do lockdown, o País de Gales começou, no sábado (27), a relaxar as restrições. Grupos de até seis pessoas poderão se encontrar ao ar livre. Já na Inglaterra, encontros desse tipo serão liberados a partir desta segunda-feira (29).

Medidas

Como o Reino Unido conseguiu sair do fundo do poço da pandemia em apenas dois meses? O caminho para saída passou por duas medidas que foram as principais apostas do governo do premiê Boris Johnson: lockdown bastante restrito e grande investimento em vacinação.

O esforço para diminuir o impacto do coronavírus começou um mês antes do dia 19 de janeiro, quando o número de mortes atingiu seu pico. Nos dias anteriores aos feriados de Natal e Ano Novo, as autoridades já observavam o agravamento acelerado da pandemia. Em apenas duas semanas, o número de casos de covid-19 havia duplicado, de 12 mil para 25 mil por dia.

A população já havia enfrentado dois lockdowns e não havia mais ânimo para um terceiro.

O mais recente deles, decretado em novembro, havia contribuído para derrubar os números temporariamente e fora usado como uma espécie de “barganha” do governo com os britânicos — se a população enfrentasse mais esse sacrifício no mês de novembro, poderia ter um Natal e Ano Novo mais relaxado, inclusive com a possibilidade de viajar e confraternizar com seus parentes. Mas o plano fracassou.

Assim que as restrições foram levantadas no começo de dezembro, os números dispararam. O governo não manteve sua promessa de relaxar as medidas e restringiu viagens e a interação de pessoas durante as festas de fim de ano.

Foi nessa época, que foi divulgada a existência de uma nova variante do vírus, surgida no sudeste da Inglaterra, que era até 70% mais contagiosa. Ao mesmo tempo, o governo dava início à sua campanha de vacinação — a primeira no mundo ocidental, mas com passos ainda tímidos.

Passadas as festas, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um pronunciamento à nação, consolidando o terceiro lockdown.

“Com o país inteiro já sob medidas extremas, está claro que precisamos fazer mais, juntos, para manter essa variante sob controle enquanto nossas vacinas são distribuídas. Nós precisamos fazer um lockdown nacional que seja duro o suficiente para conter essa variante”, disse Boris.

O comércio não-essencial e as escolas foram fechados, exames educacionais foram suspensos e o governo impôs restrições para viagens — tanto dentro do país como em fronteiras.

O governo estendeu o auxílio salarial para mais de 10 milhões de trabalhadores até setembro, com subsídios que podem chegar a 2,500 libras (quase R$ 20 mil) por beneficiado.

A oposição ao governo de Boris Johnson apoiou as medidas.

“Qualquer que seja a nossa crítica ao governo, todos nós precisamos nos unir e fazer isso funcionar”, disse o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, em janeiro.

Esse esforço parece estar tendo recompensas agora, com o Reino Unido levando vantagem em relação ao resto da Europa na reabertura da economia.

“Se você comparar os lockdowns que foram implementados — o de março do ano passado com o de janeiro deste ano — vai perceber que na primeira vez a queda no número de casos foi bem mais lenta”, disse a pesquisadora Julii Brainard, da Norwich Medical School, na University of East Anglia.

“Agora os números caíram bem mais rapidamente, apesar de as condições serem diferentes. E qual foi a grande diferença entre os dois lockdowns? É que agora temos a vacinação acontecendo, o que acelerou a queda.” O lockdown definitivamente teve impacto na redução dos números, mas as vacinas ajudaram a acelerar o processo.

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