A volta das chuvas ao Rio Grande do Sul trouxe novo ânimo aos produtores rurais gaúchos. Com 99% da área prevista para a safra de 5.978.967 hectares já plantada, as lavouras de soja no Rio Grande do Sul estão 56% na fase de desenvolvimento vegetativo, 34% em floração e 10% em enchimento de grãos.
Conforme a Seapdr (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural) e a Emater (Empresa de Assitência Técnica e Extensão Rural), em Santa Rosa e outros municípios da Região Noroese as condições do solo para retenção de água têm estabelecido diferentes situações de desenvolvimento às plantas.
Em parte das lavouras em desenvolvimento vegetativo, vem ocorrendo murchamento de folhas; naquelas mais adiantadas, tem havido abortamento de flores nas primeiras camadas. Em solos mais rasos ocorre morte de plantas devido ao déficit hídrico (reboleiras).
De um modo geral, o desenvolvimento das lavouras de soja ainda é satisfatório, mesmo diante da falta de umidade e altas temperaturas das duas últimas semanas. A permanência dessas condições de tempo pode resultar em perdas de produtividade. A irregularidade de chuvas indicará os percentuais de perdas.
Na área de Ijuí, a cultura da soja foi bastante afetada pela estiagem, comprometendo o desenvolvimento das lavouras plantadas em outubro. Os produtores retomaram as aplicações de fungicidas de forma preventiva. Há registros de ataque de ácaros e tripes. Em Soledade, as condições do tempo ainda não permitiram concluir os plantios previstos para a safra, mas a boa notícia do período foi o volume de chuva na região (de 40 a 100 milímetros), amenizando de forma parcial os reflexos da estiagem, principalmente na região do Baixo Vale do Rio Pardo, onde há registros de mortes de plântulas em lavouras com semeadura tardia.
Em geral, evidenciaram recuperação as lavouras em desenvolvimento vegetativo que tiveram crescimento e desenvolvimento reduzido no período da estiagem. Há registro de baixa incidência de pragas, não sendo necessárias medidas de controle.
Milho
No milho, apesar das chuvas ocorridas no Estado, os acumulados não revertem o déficit hídrico em boa parte das lavouras, que tem prejudicado o desenvolvimento da cultura. Totalmente implantada no Rio Grande do Sul, a cultura do milho encontra-se 20% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 13% em floração, 28% em enchimento de grãos, 26% maduro e 13% dos 771 mil hectares já foram colhidos.
Na Regional Administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que corresponde a 10% da área cultivada com milho no Estado, a cultura está em maturação em 50% das lavouras, e granação em 30%. O potencial produtivo varia muito; diversos municípios apontam perdas superiores a 50% e em alguns no Corede Celeiro não há perdas.
A colheita do milho avança, chegando a 17% da área cultivada para produção de grãos e 64% para silagem. As lavouras colhidas para silagem apresentam rendimento de 25 a 30 mil quilos por hectare, muito abaixo da estimativa inicial. A massa verde está desidratada, com consequente perda de qualidade. Áreas da Região Celeiro apresentam boas produtividades, e a colheita ultrapassa 35% das lavouras em alguns municípios. Com a melhora das condições de umidade do solo, os agricultores estão manejando as áreas para o segundo plantio da cultura.
As perdas variam conforme a época do plantio. Das lavouras plantadas no cedo, que representam 30% do total, a maior parte foi destinada para silagem. Essas foram afetadas pelo excesso de chuvas durante a germinação e o início do desenvolvimento vegetativo, principalmente em outubro, onde ocorreram mais que 400 mm de chuvas. As lavouras ficaram com estande de plantas desuniforme e população abaixo da recomendada. O milho conseguiu florescer e encher o grão, porém teve perdas em termos de volume e qualidade.
Nas lavouras plantadas em outubro, o milho floresceu em plena estiagem, dificultando a maior parte da fecundação da espiga. Metade das lavouras foi implantada em novembro e dezembro, e se encontram em desenvolvimento vegetativo e pré-floração e, apesar de a estiagem ter comprometido o seu desenvolvimento, não há condições de contabilizar perdas.
(Marcello Campos)
