O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou novas medidas restritivas de proteção à vida, publicadas no Decreto nº 48.573 da edição desta quinta-feira (4) do Diário Oficial do Município. Entre elas, estão a proibição da permanência de pessoas nas ruas, áreas e praças públicas entre 23h e 5h; limite de horário, entre 6h e 17h, para o funcionamento de bares e restaurantes; e proibição de comércio nas praias, incluindo quiosques e ambulantes. A divulgação foi feita durante a apresentação do nono Boletim Epidemiológico da Covid-19, no Centro de Operações Rio, na Cidade Nova. As restrições passam a valer a partir das 17h desta sexta-feira (5) até o fim do dia 11 de março.
A decisão foi tomada com base na Carta dos Secretários Estaduais de Saúde, publicada em 1° de março pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), e na nota técnica extraordinária do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na terça-feira (0), que mostra pela primeira vez, desde o início da pandemia, um agravamento simultâneo em todo o País de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos, de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), alta positividade de testes e a sobrecarga de hospitais.
“Todas as medidas que anunciamos hoje têm um objetivo principal, que é evitar que se repita em 2021 o genocídio de 2020 que aconteceu no Rio de Janeiro. Nós temos metade dos habitantes de São Paulo e em 2020 morreram mais pessoas na cidade do Rio do que em uma (São Paulo) que tem o dobro da população”, afirmou o prefeito.
Até a noite de quarta-feira, a cidade tinha 893 pacientes internados por Covid-19 em unidades de referência para a doença e havia cinco pessoas na fila de espera por leito especializado. A taxa de ocupação de leitos operacionais está em 75%, sem contar os temporariamente impedidos. Já o número de atendimentos nas redes de urgência e emergência do município para casos de Síndrome Gripal e de SRAG não apresentou queda na média móvel dos últimos sete dias, o que, segundo o próprio prefeito, acendeu a luz de alerta.
“Esse dado é o que vem mais me incomodando nos últimos dias e que mais influenciou na decisão tomada. A gente repara a notificação lá na UPA, na unidade de saúde básica, de pessoa que aparece com sintoma gripal, febre baixa. Começamos a ter mais pessoas aparecendo com sintomas da Covid. Se a gente for notar, esse número vinha caindo nesse ano e, a partir do final da semana passada, a queda deixou de acontecer”, disse Paes.
O prefeito enfatizou que todas as novas medidas foram tomadas de forma preventiva, para evitar algo mais rígido, como um lockdown, situação vista em outras capitais do país. “Nosso objetivo é nos antecipar, para que possamos manter os números baixos. A gente não quer decretar uma medida sem razão de ser. Não é achismo do prefeito, busco me consultar com os especialistas para evitar que a gente tenha que tomar medidas muito mais duras, como outras cidades no Brasil estão tomando, fechando o comércio. Fortaleza decretou duas semanas de fechamento de tudo. Se a gente conseguir estancar esse processo de contaminação, a gente evita mortes. Tomara que essas medidas durem só uma semana”, frisou Paes.
Em relação às novas variantes da Covid-19, ao todo há 25 casos no Estado do Rio de Janeiro. Desses, 18 foram notificados somente esta semana. As informações são da prefeitura do Rio de Janeiro.
