O secretário da Saúde de Santa Catarina, André Motta, admitiu que o Estado está enfrentando um colapso na saúde por causa do coronavírus. Na última quarta-feira (24), os hospitais atingiram a maior taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral e covid-19 do Sistema Único de Saúde (SUS) em toda a pandemia: 91,18%.
O governo de Santa Catarina publicou um decreto com novas restrições em no estado válidas por 15 dias. Em mensagem enviada aos prefeitos catarinenses, Motta pediu medidas mais restritivas para diminuir a circulação de pessoas.
“Preciso informar a todos que a situação da pandemia deteriorou no Estado todo e, a exemplo do que acontece nas regiões mais a Oeste, estamos entrando em colapso! Todos os esforços de Estado e municípios, até então, são insuficientes em face à brutalidade da doença. Infelizmente, percebesse fenômeno similar no resto do País, disse o secretário de Saúde.
Desde março, ao menos 657,6 mil pessoas tiveram diagnóstico positivo para covid-19, e 7,1 mil morreram.
Na última terça (23), o governo estadual encaminhou pedido de apoio ao Ministério da Saúde por causa da possibilidade de faltar remédios de “kit intubação”. Os estoques são insuficientes em muitos hospitais.
Medidas restritivas
No comunicado aos prefeitos, além de ter pedido medidas contra a covid-19, o secretário estadual solicitou esforço na área da saúde.
“Solicito aos gestores municipais que tomem medidas emergenciais para diminuir significativamente a circulação das pessoas, mantendo apenas serviços essenciais e que convoquem toda a força de trabalho da Saúde para o enfrentamento”, pediu o secretário estadual aos gestores municipais.
Diferentemente da solicitação aos municípios, no decreto publicado no Diário Oficial do Estado não há fechamento de serviços não essenciais. Também não há restrição à circulação de pessoas, como previsto em um decreto publicado em dezembro.
Pelas novas regras divulgadas, casas noturnas e de espetáculos não podem funcionar, e é proibido vender e consumir bebidas alcoólicas em postos de combustíveis e em suas lojas de conveniência entre 0h e 6h em todos os níveis de risco. Bares, restaurantes e shoppings não podem funcionar de madrugada.
O transporte coletivo e rodoviário pode continuar circulando, mas com 50% de ocupação. No entanto, em Joinville, no Norte do estado, houve registro de aglomerações e os usuários enfrentaram dificuldades para conseguir assentos no ônibus.
Fila de espera
Em Santa Catarina, pacientes com covid-19 têm esperado por vagas em unidades de saúde. Além dos pacientes apontados nos dados internos da Secretaria, pode haver mais pessoas aguardando, pois são enviados somente pedidos de internação de pacientes com condição de transporte para longas distâncias no caso das transferências.
Doentes internados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não entram na fila, por exemplo, já que precisam passar por um hospital para estabilização antes de entrarem na contabilização estadual.
Em ofício enviado ao governo, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu que a Secretaria da Saúde informe quantas pessoas esperam por leitos de UTI e de quais cidades elas são.
