Eleito governador do Paraná em primeiro turno, o senador Sérgio Moro (PL-PR) vê no resultado das urnas dois recados principais: o presidente Lula (PT) faz um “péssimo” governo, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) “perderam a mão” e precisam ser investigados.
Em entrevista à Coluna do Estadão, o ex-juiz da Lava-Jato não descarta que o Senado, que a partir de 2027 terá uma bancada ainda mais à direita, aprove o impeachment de integrantes do STF. “O Judiciário tem que voltar a atuar com legalidade e existe um projeto de, eventualmente, levar à responsabilização desses excessos. Não sou nenhum radical, mas infelizmente o caminho parece ser necessário”, diz.
No segundo turno da eleição presidencial, Moro afirma que vai se empenhar no Estado para aumentar a votação do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), seu antigo desafeto e atual aliado.
– Eis os principais trechos da entrevista:
* Qual foi o recado das urnas no primeiro turno?
São recados diferentes. Aqui no Paraná, o principal recado é que o Paraná não tem dono. Nós concorremos, ganhamos contra a máquina, baseado na nossa credibilidade, na nossa história e no nosso projeto. Nacionalmente, é a derrota do governo Lula, porque foram eleitos governadores de oposição no Sul, no Sudeste, um resultado muito expressivo no País inteiro contra o Lula, revelando esse sentimento da população de um péssimo governo. A inflação alta, as famílias endividadas, os juros nas alturas. A gente tem que ter pé no chão e humildade, mas tudo indica que Lula será derrotado no segundo turno por Flávio Bolsonaro e vamos mudar o rumo das coisas e dos fatos aqui no nosso País. Esse é um recado muito forte.
* Qual foi o peso eleitoral da crise do STF?
É um recado importante de que o juiz tem que voltar à legalidade. A gente não pode generalizar. A maioria dos juízes, de primeira e segunda instâncias, faz um grande trabalho. A cúpula em Brasília, parte dos ministros do STF e do TSE, perdeu a mão, está se achando acima da lei, acha que pode fazer qualquer coisa. Isso não é normal. O País tem que ser um governo de leis e não um governo de homens, ainda que esses homens sejam ministros do STF. Na véspera das eleições, um ministro do TSE dá uma decisão monocrática tirando das urnas o Deltan Dallagnol. Um absurdo. Toda a jurisprudência do TSE diz que o julgamento tem que ser pelo plenário em uma decisão definitiva. O presidente do TSE teve que intervir e cassar uma decisão ilegal na manhã das eleições.
* A primeira medida para enfrentar a crise no STF é avançar com processos de impeachment?
Tudo é possível, pode ser que o caminho seja esse. Precisamos de uma reforma institucional do Judiciário. Eu tenho defendido o mandato de 12 anos para ministros do STF. Em relação a suspeitas e desvios dos ministros, tem que ter investigação. Não é possível que tenha gente acima da lei. O ministro investigado se defende, se não ficar provado nada, tudo bem, mas o que não podemos fazer é varrer o caso para debaixo do tapete, como estão fazendo em Brasília. Isso é um acinte ao cidadão que paga os seus impostos, que quer seu dinheiro respeitado. Foi o que a gente defendeu na Lava Jato. O que a gente quer fazer no governo do Paraná é provar que pode haver um governo honesto e eficiente para melhorar a vida do cidadão.
* O senhor avalia que o eleitorado defende mudanças no STF?
Eu diria que o principal fator é o péssimo governo Lula. Famílias endividadas, o País em crise permanente, inflação nas alturas, supermercado caro, juros elevadíssimos, empresas quebrando. Só quem ganhou nesse governo foram as bets, que na última hora o Lula quis eliminá-las, o crime organizado e os corruptos. Essa percepção de que existe uma aliança entre o Lula e alguns ministros do STF contribuiu para a insatisfação da população, que pensa: ‘Se uma pessoa que pinta de batom uma estátua, uma frase de protesto, pode ser condenada a 14 anos de prisão, em que País a gente está vivendo?’. Aprovamos uma lei para reduzir as penas dessas pessoas e até agora não foi aplicada pelo STF. O ministro não concorda com ela, suspendeu a aplicação. Como ex-juiz, fico abismado como se pode simplesmente pegar uma lei e ignorar, mantendo gente presa. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)
