O STF (Supremo Tribunal Federal) negou nessa terça-feira um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manteve com o juiz federal Sérgio Moro a condução do caso envolvendo suposto pedido de propina para o PT na construção de sondas para a Petrobras. O crime teria sido cometido pelo ex-gerente da estatal Pedro Barusco a executivos da empreiteira Odebrecht. A empresa venceu a licitação para fornecer os equipamentos destinados à extração de petróleo do pré-sal.
De acordo com Barusco, a Odebrecht deveria pagar propina de 1% do contrato, sendo que 1/3 do montante seria destinado a funcionários da Petrobras e da Sete Brasil (responsável pela construção das sondas) e 2/3 ao PT, o que teria sido decidido por Lula. Desde o início das investigações da Lava-Jato, o PT tem afirmado que não recebeu doações ilegais e que todos os recursos recebidos foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral.
O caso foi enviado a Moro em março deste ano pelo ministro Edson Fachin, do STF, por não envolver autoridades com foro privilegiado.
A defesa de Lula, no entanto, contestou a remessa para o juiz, sob o argumento de que o caso deveria ser encaminhado à Justiça Federal em São Paulo, local onde teriam ocorrido os acertos de propina entre o ex-ministro Antonio Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht.
Por unanimidade, os ministros da Segunda Turma que participaram da sessão desta terça – Edson Fachin, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski – entenderam que o caso tem relação com fatos ligados a processos com Moro, e por isso, o mantiveram sob a sua alçada.
Caravana
Em caravana pelo Nordeste, na segunda-feira Lula voltou a alfinetar o deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ). De acordo com o líder petista, o crescimento do parlamentar nas pesquisas eleitorais “é resultado do analfabetismo político no Brasil”.
“Você passa a compreender que, fora da política, você vai encontrar um cara que é diferente e que pode resolver, ou um político grotesco, como é essa figura, o Jair Bolsonaro, agressivo, que ofende as mulheres, que ofende negros. É um cidadão que não tem o mínimo de respeito com as pessoas”, afirmou o petista, em entrevista exibida pela TVE (Televisão Educativa) da Bahia.
A declaração repercutiu nas redes sociais. Em vez de retrucar o ex-presidente, Bolsonaro publicou o vídeo da entrevista de Lula em sua página no Facebook, o que mobilizou seus seguidores. Em poucas horas, foram mais de 40 mil reações, 4 mil compartilhamentos e 11 mil comentários no post. Já no Twitter, onde o polêmico deputado também postou o vídeo da entrevista de Lula, foram 450 retuítes e mais de 2 mil curtidas.
