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O Tribunal de Contas da União deu 15 dias para o Ministério da Saúde explicar os gastos no combate ao coronavírus

Auditoria do TCU aponta que fornecimento pelo SUS só poderia ser feito com aprovação da Anvisa ou de autoridades sanitárias internacionais. (Foto: TCU/Divulgação)

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (22) dar 15 dias de prazo para o Ministério da Saúde explicar a estratégia de gastos no combate ao novo coronavírus.

Pela decisão, o governo federal terá de explicar os critérios de aquisições e de transferência de recursos para Estados e municípios.

As determinações fazem parte da auditoria do TCU que avaliou a atuação do Ministério da Saúde no combate ao coronavírus.

Relator do caso, o ministro Benjamin Zymler afirmou que há “baixa” execução dos recursos destinados ao ministério para combater a pandemia.

Segundo o relatório do TCU, o Ministério da Saúde gastou 29% do dinheiro que recebeu. A análise abrange os gastos entre março e 28 de maio.

Segundo o TCU, dos R$ 39 bilhões destinados ao Ministério da Saúde para combater a pandemia, R$ 11,5 bilhões foram pagos.

Mais cedo, nesta quarta, o ministério divulgou uma nota na qual afirmou que foram empregados R$ 26,4 bilhões em ações contra o coronavírus e que tem realizado repasse de recursos extras a Estados e municípios.

“O Ministério da Saúde informa que, em apoio irrestrito aos Estados e municípios, tem efetuado repasse de recursos extras e realizado compras centralizadas de equipamentos, materiais e insumos para garantir a estruturação do SUS e o cuidado e assistência à população. Até o momento, foram executados, ou seja, comprometidos com ações relacionadas à Covid-19 o total de R$ 26,4 bilhões”, acrescentou a pasta.

Os valores

Segundo o TCU:

– R$ 11,4 bilhões eram de aplicação direta do ministério, mas R$ 1,4 bilhão foram pagos;

– R$ 10 bilhões eram destinados a fundos estaduais, mas R$ 4 bilhões foram pagos;

– R$ 16,9 bilhões eram destinados a fundos municipais, mas R$ 5,7 bilhões foram pagos.

Os dados mais recentes sobre os recursos da pasta estão disponíveis no portal do Tesouro Nacional.

Até terça-feira (21), o ministério pagou R$ 17,5 bilhões, o equivalente a 44,9% do total de recursos disponíveis.

Divisão

O processo destaca que há falta critério na divisão de recursos entre Estados e municípios.

Segundo o ministro relator, a área técnica do TCU tentou avaliar alguns possíveis critérios como índice de mortalidade ou relação entre a transferência de recursos e a destinação de novos leitos ou de testes de identificação da doença, mas não foi possível identificar uma relação.

“O que a gente conclui ao final é que os critérios para a transferência de recursos financeiros não seguem nenhuma lógica identificada. A unidade técnica não satisfeita com as respostas dadas foi atrás para buscar uma correlação para a explicar a lógica de transferência de recursos e lógica de compras e não encontramos esse tipo de explicação”, afirmou.

Comunicação

Ainda no voto, Benjamin Zymler criticou o fim das entrevistas coletivas de imprensa diárias do Ministério da Saúde. Segundo ele, as entrevistas davam conhecimento para adoção das condutas necessárias de prevenção.

“Em uma federação complexa como a nossa, uma visão centralizada parecia uma medida de conforto e conhecimento para que cada um pudesse adotar as condutas necessárias: as estratégias de lockdown, uso de máscara e quarentena. O governo tem o poder de definir sua estratégia de comunicação. Eu não estaria preocupado com ela se não vivêssemos uma pandemia”, afirmou.

No processo, o TCU determinou que o Ministério da Saúde que ajuste sua estratégia de comunicação a respeito das medidas de combate à pandemia.

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