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O Tribunal Regional Federal da 4ª Região culpou um funcionário pela “curtida” no comentário feito no Twitter pelo comandante do Exército

General se manifestou de forma polêmica sobre a situação institucional do País. (Foto: Agência Brasil)

Após receber críticas, o TRF-4 (Tribunal Regional Federa da 4ª Região) divulgou nota explicando como a conta do órgão no Twitter “curtiu” o polêmico post do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que na terça-feira escreveu na rede social que a Força Armada compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

De acordo com o Tribunal sediado em Porto Alegre, a senha de sua conta no twitter foi usada indevidamente “por um servidor que auxilia na administração técnica da página e que curtiu tuítes pensando estar utilizando sua conta pessoal”. Ainda segundo a nota, as “curtidas” não partiram dos gestores de conteúdo da página do TRF-4 no Twitter e, portando, não representam a instituição. Frisou, ainda, que foi um “incidente” e que “serão tomadas as medidas cabíveis”.

Essa não foi a primeira vez em que o TRF-4 precisou esclarecer fatos por conta da manifestação de servidores em redes sociais. Pouco antes do julgamento do ex-presidente pela 8ª Turma do Tribunal, chefe de gabinete da presidência do TRF-4, Daniela Tagliari Kreling Lau, publicou em sua página uma petição on-line para coletar assinaturas em apoio à condenação e à prisão do líder petista.

Depois da imparcialidade do TRF-4 ter sido colocada em dúvida por petistas, o presidente da Corte, Carlos Eduardo Thompson Flores, saiu em defesa da servidora. Disse que a ela exerceu o direito de se manifestar como “cidadã e em caráter particular”. Segundo o tribunal, Daniela é servidora concursada com 24 anos de carreira na corte e nunca atuou na área judicial ou em julgamentos de processos. “Daniela sempre exerceu cargos administrativos junto ao tribunal, tendo trabalhado nas gestões de diversos presidentes”, diz a nota da Corte.

General

Na terça-feira, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou a instituição “julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade”. A declaração foi realizada na véspera do julgamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), do habeas corpus preventivo solicitado por Lula.

Em sua conta no Twitter, o oficial disse que o Exército também defende o “respeito à Constituição, à paz social e à Democracia”, e que a instituição “se mantém atenta às suas missões institucionais”. Ele ainda destacou que, “nessa situação que vive o Brasil”, é preciso questionar às instituições e ao povo quem “está pensando no bem do País” e “quem está preocupado apenas com interesses pessoais”.

“Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”, completou.

Procurado, o Centro de Comunicação Social do Exército confirmou que as postagens são de autoria do comandante e que elas revelam o que ele pensa sobre o momento do país.

O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirmou à imprensa que as publicaçõrs do comandante do Exército foram no sentido contrário ao uso da força e que a população “pode ficar tranquila” em relação ao teor do que foi dito.

Luna disse ainda que não há, dentro do governo do presidente Michel Temer, qualquer sentimento de reprovação à iniciativa de Villas Boas:

“O general Villas Boas tem mostrado coerência, é uma marca de sua gestão. Ele tem preocupação com preceitos constitucionais. E valoriza nossas bases, que são os anseios do povo, o legado em termos de valores para as gerações futuras. A mensagem é que a população pode ficar tranquila, pois as instituições estão aqui. Não é uma mensagem de uso da força. É o contrário”.

Generais da ativa

Cerca de 40 minutos após o general publicar a mensagem em sua conta no Twitter, o ex-comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia), general Geraldo Miotto compartilhou o post de Villas Boas e comentou: “Estamos juntos meu comandante!!! Na mesma trincheira firmes e fortes!!!! Brasil acima de tudo! Aço!”.

Após dois anos à frente do CMA, Miotto foi substituído, em março, por outro general do Exército, César Augusto Nardi de Souza. Segundo o G1, Miotto deverá assumir o CMS (Comando Militar do Sul).

O general José Luiz Dias Freitas, comandante do CMO (Comando Militar do Oeste), também compartilhou a mensagem de Villas Bôas. Ele diz que o comandante “expressa as preocupações e anseios dos cidadãos brasileiros que vestem fardas”.

Nessa quarta-feira, o Alto Comando do Exército, formado por Vilas Bôas e os 16 generais quatro-estrelas da Força, reuniu-se às 17h. O encontro estava agendado desde a semana passada e, segundo militares, serviria para discutir a conjuntura política.

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